Mestres da Poesia

Deixe uma poesia de um poeta ou poetisa que traz inspiração.

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42 pensamentos sobre “Mestres da Poesia

  1. Pablo Neruda

    Ode à Crítica

    Eu escrevi cinco versos: um verde,
    um outro era um pão redondo,
    o terceiro uma casa levantando-se,
    o quarto era um anél,
    o quinto verso era
    curto como um relámpago
    e ao escrevê-lo
    me deixou na razão sua queimadura

    E bem, os homens, as mulheres
    vieram e tomaram
    a sensível matéria,
    brisa, vento, fulgor, barro, madeira
    e com tão pouca coisa
    construiram
    paredes, pisos, sonhos,
    Em uma linha de minha poesia
    secaram roupa ao vento.
    Comeram minhas palavras
    as guardaram
    junto da cabeceira,
    viveram com um verso,
    com a luz que saiu do meu lado.
    Então, chegou um crítico mudo
    e outro cheio de linguas,
    e outros, outros chegaram
    cegos e cheio de olhos,
    elegantes alguns
    como cravos com sapatos vermelhos,
    outros estritamente
    vestidos de cadáveres,
    alguns partidários
    do rei e sua elevada monarquia,
    outros tinham-se
    enredado à frente
    de Marx e sapateavam em sua barba,
    outros eram ingleses,
    e entre todos se lançaram
    com dentes e facas,
    com dicionários e
    outras armas negras
    com menções respeitáveis,
    se lançaram
    a discutir a minha pobre poesia
    às gentes simples
    que lha amavam:
    e a fizeram um funíl,
    a enrolaram,
    a sujeitaram com cem alfinetes,
    a cobriram com pó de esqueletos,
    a mancharam de tinta,
    a cuspiram com a suave
    bondade de gatos,
    determinaram-na a ser papel de embrulho,
    a protejeram e a condenaram,
    a derramaram petróleo,
    a dedicaram húmidos tratados,
    a cozinharam com leite,
    Juntaram-la pequenas pedrinhas,
    foram apagando as vocais,
    foram matando-a
    sílabas e suspiros,
    Arrugaram-na e fizeram
    um pequeno pacote
    que destinaram cuidadosamente
    as seus porões, a seus cemitérios,
    logo se retiraram um à um
    enfurecidos até a loucura
    Porque não fui bastante
    popular para eles
    ou impregnados de
    doce menosprezo
    por minha ordinária falta de trevas,
    se retiraram todos e então,
    outra vez, junto à minha poesia
    voltaram a viver
    mulheres e homens,
    e acenderam fogo,
    construiram casas,
    comeram pão,
    e repartiram a luz
    e no amor uniram relâmpago e anél.
    E agora, perdoem-me, senhores,
    que interrompe este conto
    que estou-lhes contando
    e me vou viver
    para sempre
    com a gente simples.

    (Traduzido por Ivan Santos)

  2. Edgar Allan Poe

    Alone

    From childhood’s hour I have not been
    As others were; I have not seen
    As others saw; I could not bring
    My passions from a common spring.
    From the same source I have not taken
    My sorrow; I could not awaken
    My heart to joy at the same tone;
    And all I loved, I loved alone.
    Then- in my childhood, in the dawn
    Of a most stormy life- was drawn
    From every depth of good and ill
    The mystery which binds me still:
    From the torrent, or the fountain,
    From the red cliff of the mountain,
    From the sun that round me rolled
    In its autumn tint of gold,
    From the lightning in the sky
    As it passed me flying by,
    From the thunder and the storm,
    And the cloud that took the form
    (When the rest of Heaven was blue)
    Of a demon in my view.

  3. Augusto dos Anjos

    A Idéia

    De onde ela vem?! De que matéria bruta
    Vem essa luz que sobre as nebulosas
    Cai de incógnitas criptas misteriosas
    Como as estalactites duma gruta?!
    Vem da psicogenética e alta luta
    Do feixe de moléculas nervosas,
    Que, em desintegrações maravilhosas,
    Delibera, e depois, quer e executa!

    Vem do encéfalo absconso que a constringe,
    Chega em seguida às cordas do laringe,
    Tísica, tênue, mínima, raquítica …

    Quebra a força centrípeta que a amarra,
    Mas, de repente, e quase morta, esbarra
    No mulambo da língua paralítica.

  4. Cecília Meireles

    Romance XXIV ou da Bandeira da Inconfidência

    Através de grossas portas,

    sentem-se luzes acesas,

    — e há indagações minuciosas

    dentro das casas fronteiras:

    olhos colados aos vidros,

    mulheres e homens à espreita,

    caras disformes de insônia,

    vigiando as ações alheias.

    Pelas gretas das janelas,

    pelas frestas das esteiras,

    agudas setas atiram

    a inveja e a maledicência.

    Palavras conjeturadas

    oscilam no ar de surpresas,

    como peludas aranhas

    na gosma das teias densas,

    rápidas e envenenadas,

    engenhosas, sorrateiras.

    Atrás de portas fechadas,

    à luz de velas acesas,

    brilham fardas e casacas,

    junto com batinas pretas.

    E há finas mãos pensativas,

    entre galões, sedas, rendas,

    e há grossas mãos vigorosas,

    de unhas fortes, duras veias,

    e há mãos de púlpito e altares,

    de Evangelhos, cruzes, bênçãos.

    Uns são reinóis, uns, mazombos;

    e pensam de mil maneiras;

    mas citam Vergílio e Horácio,

    e refletem, e argumentam,

    falam de minas e impostos,

    de lavras e de fazendas,

    de ministros e rainhas

    e das colônias inglesas.

    Atrás de portas fechadas,

    à luz de velas acesas,

    uns sugerem, uns recusam,

    uns ouvem, uns aconselham.

    Se a derrama for lançada,

    há levante, com certeza.

    Corre-se por essas ruas?

    Corta-se alguma cabeça?

    Do cimo de alguma escada,

    profere-se alguma arenga?

    Que bandeira se desdobra?

    Com que figura ou legenda?

    Coisas da Maçonaria,

    do Paganismo ou da Igreja?

    A Santíssima Trindade?

    Um gênio a quebrar algemas?

    Atrás de portas fechadas,

    à luz de velas acesas,

    entre sigilo e espionagem,

    acontece a Inconfidência.

    E diz o Vigário ao Poeta:

    “Escreva-me aquela letra

    do versinho de Vergílio…”

    E dá-lhe o papel e a pena.

    E diz o Poeta ao Vigário,

    com dramática prudência:

    “Tenha meus dedos cortados

    antes que tal verso escrevam…”

    LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,

    ouve-se em redor da mesa.

    E a bandeira já está viva,

    e sobe, na noite imensa.

    E os seus tristes inventores

    já são réus — pois se atreveram

    a falar em Liberdade

    (que ninguém sabe o que seja).

    Através de grossas portas,

    sentem-se luzes acesas,

    — e há indagações minuciosas

    dentro das casas fronteiras.

    “Que estão fazendo, tão tarde?

    Que escrevem, conversam, pensam?

    Mostram livros proibidos?

    Lêem notícias nas Gazetas?

    Terão recebido cartas

    de potências estrangeiras?”

    (Antiguidades de Nimes

    em Vila Rica suspensas!

    Cavalo de La Fayette

    saltando vastas fronteiras!

    Ó vitórias, festas, flores

    das lutas da Independência!

    Liberdade – essa palavra,

    que o sonho humano alimenta:

    que não há ninguém que explique,

    e ninguém que não entenda!)

    E a vizinhança não dorme:

    murmura, imagina, inventa.

    Não fica bandeira escrita,

    mas fica escrita a sentença.

  5. Ferreira Gullar em De Na Vertigem do Dia (1975-1980)

    Traduzir-se

    Uma parte de mim
    é todo mundo:
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.

    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.

    Uma parte de mim
    pesa, pondera:
    outra parte
    delira.

    Uma parte de mim
    almoça e janta:
    outra parte
    se espanta.

    Uma parte de mim
    é permanente:
    outra parte
    se sabe de repente.

    Uma parte de mim
    é só vertigem:
    outra parte,
    linguagem.

    Traduzir uma parte
    na outra parte
    — que é uma questão
    de vida ou morte —
    será arte?

  6. FERREIRA GULLAR
    ——————–

    SUBVERSIVA

    A poesia
    Quando chega
    Não respeita nada.

    Nem pai nem mãe.
    Quando ela chega
    De qualquer de seus abismos

    Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
    Infringe o Código de Águas
    Relincha

    Como puta
    Nova
    Em frente ao Palácio da Alvorada.

    E só depois
    Reconsidera: beija
    Nos olhos os que ganham mal
    Embala no colo
    Os que têm sede de felicidade
    E de justiça.

    E promete incendiar o país.

  7. CLEIDE CANTON

    SINTO VERGONHA DE MIM

    Sinto vergonha de mim
    por ter sido educadora de parte desse povo,
    por ter batalhado sempre pela justiça,
    por compactuar com a honestidade,
    por primar pela verdade
    e por ver este povo já chamado varonil
    enveredar pelo caminho da desonra.

    Sinto vergonha de mim
    por ter feito parte de uma era
    que lutou pela democracia,
    pela liberdade de ser
    e ter que entregar aos meus filhos,
    simples e abominavelmente,
    a derrota das virtudes pelos vícios,
    a ausência da sensatez
    no julgamento da verdade,
    a negligência com a família,
    célula-mater da sociedade,
    a demasiada preocupação
    com o “eu” feliz a qualquer custo,
    buscando a tal “felicidade”
    em caminhos eivados de desrespeito
    para com o seu próximo.

    Tenho vergonha de mim
    pela passividade em ouvir,
    sem despejar meu verbo,
    a tantas desculpas ditadas
    pelo orgulho e vaidade,
    a tanta falta de humildade
    para reconhecer um erro cometido,
    a tantos “floreios” para justificar
    atos criminosos,
    a tanta relutância
    em esquecer a antiga posição
    de sempre “contestar”,
    voltar atrás
    e mudar o futuro.

    Tenho vergonha de mim
    pois faço parte de um povo que não reconheço,
    enveredando por caminhos
    que não quero percorrer…

    Tenho vergonha da minha impotência,
    da minha falta de garra,
    das minhas desilusões
    e do meu cansaço.
    Não tenho para onde ir
    pois amo este meu chão,
    vibro ao ouvir meu Hino
    e jamais usei a minha Bandeira
    para enxugar o meu suor
    ou enrolar meu corpo
    na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

    Ao lado da vergonha de mim,
    tenho tanta pena de ti,
    povo brasileiro!

  8. Ruy Barbosa

    Trecho de um discurso

    “De tanto ver triunfar as nulidades,
    de tanto ver prosperar a desonra,
    de tanto ver crescer a injustiça,
    de tanto ver agigantarem- se os poderes
    nas mãos dos maus,
    o homem chega a desanimar da virtude,
    a rir-se da honra,
    a ter vergonha de ser honesto” .

  9. BAUDELARIE-

    PERDA DE AURÉOLA

    “O quê!? Você aqui, meu caro? Você, num lugar desses! Você, o bebedor de quintessências!, O comedor de ambrosia! Francamente, é de surpreender.”

    “Meu caro, bem conheces o pavor que tenho dos cavalos e dos coches. Agora há pouco, quando atravessava apressado o bulevar, saltando sobre a lama, através desse caos movente em que a morte chega a galope, por todos os lados ao mesmo tempo, minha auréola, num movimento brusco, escorregou de minha cabeça para o lodo do macadame. Não tive coragem de apanhá-la. Julguei menos desagradável perder minhas insígnias do que quebrar os ossos. E depois pensei cá comigo, há males que vêm para bem. Agora posso passear incógnito, praticar ações baixas, entregar-me à devassidão como os simples mortais. E aqui estou eu, igualzinho a você, como pode ver!”

    “Deveria ao menos dar parte do desaparecimento dessa auréola, comunicar o ocorrido ao comissário.”

    “Ah, não. Me sinto bem. Só você me reconheceu. Aliás, a dignidade me aborrece. Depois, penso com alegria que algum poeta medíocre vai achá-la e com ela, impudentemente, se cobrir. Fazer alguém feliz, que prazer! E principalmente um felizardo que me faça rir! Pense em X ou Z! Hein? Como vai ser engraçado!”

    (Tradução Leda Tenório da Mota)

  10. Em homenagem ao aniversário de 40 anos do AI5(dezembro de 1968) dedico aos amigos da comunidade(pra quem ainda não conhece) o poema abaixo:

    No Caminho, com Maiakóvski

    Eduardo Alves da Costa

    Assim como a criança
    humildemente afaga
    a imagem do herói,
    assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
    Não importa o que me possa acontecer
    por andar ombro a ombro
    com um poeta soviético.
    Lendo teus versos,
    aprendi a ter coragem.

    Tu sabes,
    conheces melhor do que eu
    a velha história.
    Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem:
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.

    Nos dias que correm
    a ninguém é dado
    repousar a cabeça
    alheia ao terror.
    Os humildes baixam a cerviz;
    e nós, que não temos pacto algum
    com os senhores do mundo,
    por temor nos calamos.
    No silêncio de me quarto
    a ousadia me afogueia as faces
    e eu fantasio um levante;
    mas manhã,
    diante do juiz,
    talvez meus lábios
    calem a verdade
    como um foco de germes
    capaz de me destruir.

    Olho ao redor
    e o que vejo
    e acabo por repetir
    são mentiras.
    Mal sabe a criança dizer mãe
    e a propaganda lhe destrói a consciência.
    A mim, quase me arrastam
    pela gola do paletó
    à porta do templo
    e me pedem que aguarde
    até que a Democracia
    se digne aparecer no balcão.
    Mas eu sei,
    porque não estou amedrontado
    a ponto de cegar, que ela tem uma espada
    a lhe espetar as costelas
    e o riso que nos mostra
    é uma tênue cortina
    lançada sobre os arsenais.

    Vamos ao campo
    e não os vemos ao nosso lado,
    no plantio.
    Mas ao tempo da colheita
    lá estão
    e acabam por nos roubar
    até o último grão de trigo.
    Dizem-nos que de nós emana o poder
    mas sempre o temos contra nós.
    Dizem-nos que é preciso
    defender nossos lares
    mas se nos rebelamos contra a opressão
    é sobre nós que marcham os soldados.

    E por temor eu me calo,
    por temor aceito a condição
    de falso democrata
    e rotulo meus gestos
    com a palavra liberdade,
    procurando, num sorriso,
    esconder minha dor
    diante de meus superiores.
    Mas dentro de mim,
    com a potência de um milhão de vozes,
    o coração grita – MENTIRA!

  11. O CAPUZ
    Pedro Tierra

    Cá está o capuz sobre a grade.
    Traz consigo uma segura
    promessa de dor. Na boca
    do sentinela um meio riso.
    Cá está uma parcela da noite
    cobrindo meu rosto.
    A mão de meu inimigo
    determina o caminho.
    Pelos corredores aprendi
    o jeito inseguro dos cegos.
    As mãos tateando a parede.
    Sob os pés a escada imprevista,
    o degrau a mais, a queda,
    o riso dos soldados,
    o gesto perdido buscando
    uma porta que não houve.
    O passar dos dias
    e as cicatrizes no corpo
    ensinaram-me esse caminho.
    Nos dedos guardei as arestas,
    o ferro das portas,
    o fio dos dínamos.
    No dorso a marca
    desses dias de sombra.
    O capuz repete a dor
    no corpo de cada combatente,
    uma dor mercenária
    recrutada a serviço da noite.

  12. POEMAS DE MOHAMOUD DARWISH,ESCRITOR PALESTISNO
    ——————————————

    Sob Cerco

    Aqui sobre o contorno das colinas, frente o crepúsculo e o canhão do tempo
    Perto dos jardins das sombras despedaçadas
    Nos fazemos o que os prisioneiros fazem
    E o que o desempregado faz: nós cultivamos a esperança
    ***
    Um país se preparando para o despertar. Nós crescemos menos inteligentes
    Para de mais perto vigiar o momento da vitória
    Não há noite em nossa vigília conta o bombardeamento
    Nossos inimigos estão observando e a luz, está luz é para nós
    Na escuridão dos porões
    ***
    Não existe “EU”
    Aqui Adam lembra a poeira de sua argila
    ***
    À beira da morte, ele diz:
    Não tenho nada a perder, a deixar:
    Livre eu sou tão perto de minha liberdade. Minhas mentiras futuras carrego nas mãos
    Breve eu devo penetrar pela vida
    Eu devo nascer livre e descompromissado
    E como meu nome eu devo grifar em letras nobres
    ***
    Vocês quem esperam na porta,entrem
    Bebam um café árabe conosco
    E vocês perceberão que são homens como nós
    Vocês que esperam na entrada das casas
    Venham para nossas manhas
    Nós devemos sentir
    Homens como vocês!
    ***
    Quando os aviões desaparecerem, o branco, pombas brancas.
    Se perderão e banharão as bocejas do céu
    Com imensas asas trazer de volta o esplendor, tomando posse.
    Do éter e do jogo. No alto, mais alto, o branco, as pombas brancas.
    Se perder. Ah, somente o céu.
    Onde é real[um homem passando entre duas bombas me disse]
    ***
    Ciprestes atrás dos soldados, baionetas protegendo.
    O céu do colapso. Por detrás da cerca de aço
    Soldados mijam-sobre o tanque de guerra vigilante-
    E o automaticamente o dia termina sua viajem dourada
    Uma rua vazia como a igreja depois da multidão do domingo
    ***
    [para um assassino]se ele tivesse encarado a face da vitima
    E pensado no que pensou, ele poderia ter se lembrado de sua mãe dentro.
    Da câmara de gás, ele poderia ter justificado seu rifle.
    E vocês poderiam mudar de idéia: esse não é o caminho
    Para encontrar a união novamente
    ***
    O cerco está interrompido
    Esperando no degrau da escada em meio à tempestade
    ***
    Sozinhos, nós estamos sozinhos tão afundados nos sedimentos.
    Onde não somos contemplados pelo arco-íris
    ***
    Nós temos irmãos por de trás dessa imensidão
    Excelentes irmãos. Eles nos amam. Eles nos observam e chicoteiam
    Então, em segredo, eles conversam:
    “Ah! Se este cerco não fosse declarado… “Eles não cumpririam a sentence deles”.
    “ Não nos abandone, não nos deixe”.
    ***
    Nossas perdas: entre dois ou oito mártires a cada dia
    E dez feridos
    E vinte casas
    E cinqüenta oliveiras
    Afundados na falha estrutural
    Que chega ao poema, no jogo, e nas improvisadas lonas.
    ***
    Uma mulher contou a nuvem: carregada meu amor
    Por minhas vestes cobertas com seu sangue
    ***
    Se você não está na chuva, meu amor.
    Seja uma arvore
    Permaneça fértil, seja uma arvore.
    Se você não é arvore, meu amor.
    Seja pedra
    Saturada com a umidade, seja pedra.
    Se você não é pedra, meu amor.
    Seja lua
    Nos sonhos de uma mulher amada, seja lua.
    [então conte sobre a mulher para seu filho no funeral dela]
    ***
    Oh sentinelas!Não estão cansados?
    De mentir enquanto esperam pela luz de nosso sal
    E pela incandescência da rosa em nossas feridas
    Não estão cansados, oh sentinelas?
    ***
    Uma dose desse absoluto e infinito azul
    Poderia ser suficiente
    Para aliviar o peso desses dias
    E para remover o lodo desse lugar
    ***
    E o momento para a alma descer destes montes
    E caminhar sob os sedosos pés
    Lado a lado, de mãos dadas, como dois velhos.
    Amigos quem compartilham do pão ancestral
    E do ancestral copo de vinho
    Podemos caminhar nesta estrada juntos
    E quando nossas jornadas tomarem direções opostas:
    Eu, além da natureza, em transformação.
    Irei escolher repousar sobre o topo da rocha
    ***
    Em meus restos a sombra cresce verde,
    E o lobo está em pele de cordeiro
    Ele sonha como eu, como o anjo faz a vida aqui… não termina ali
    ***
    No estado de cerco, o tempo se torna espaço.
    Transfigurado em eternidade
    No estado de cerco, o tempo se torna espaço.
    Ele perde o ontem e o amanhã
    ***
    O mártir me rodeia cada vez que surje um novo dia
    E me questiona: Por onde esteve?Pegue cada palavra
    E me traga de volta aos dicionários
    E desperte os preguiçosos a partir do meu brado
    ***
    O mártir me iluminou: além da imensidão
    Não olhei para
    As virgens da imortalidade, para os amores da vida.
    Sobre a terra, entre as figueiras e pinhos,
    Mas não pude alcançá-lo, e então, eu o deslumbrei.
    Com minha ultima força: o sangue no corpo nobre
    ***
    O mártir me avisou: não acredite em seus uivos
    Acredite meu pai quando, chicoteiam, eles almejam minha fotografia.
    Como nos comprometemos, meu filho, como os que me precederam.
    O primeiro, o primeiro e único!
    ***
    O mártir me rodeia: minha casa e minha modesta mobília isso é tudo, mas eu tenho mudado.
    Eu deitei uma bela jovem na minha cama
    E um crescente da lua no meu dedo
    Para apaziguar minha angustia.
    ***
    O cerco irá nos intimar, deveremos optar por uma escravidão injusta, ao invés da liberdade plena!
    ***
    As formas de resistência por si só tomam contam da saúde de seu coração
    A saúde do brio e de seus tendenciosos males:
    O mal da esperança
    ***
    E o que resta do despertar, Eu irradio em meu exterior.
    E o que resta da noite, Eu escuto o som de passos dentro de mim.
    ***
    Bem aventurado aquele que compartilha comigo uma visão
    A entorpecencia da luz, a luz de uma borboleta, dentro.
    Da escuridão desse túnel!
    ***

    Bem aventurado que compartilha meu copo comigo
    Na estupidez da noite descamando os dois espaços:
    Bem aventurado meu ressurgimento
    ***
    Meus amigos estão sempre preparando uma despedida festiva para mim,
    Um aprazível tumulo na sombra de um carvalho
    Um marmóreo epitáfio de momentos
    E sempre eu antecipo que no funeral:
    Quem partiu… quem?
    ***
    A escrita é um filhote abocanhando a solidão
    A escrita ferida sem um rastro de sangue
    ***
    Nossos cafezinhos. pássaros, arvores verdes
    Na penumbra azul, o sol cambalhota do muro.
    Para outros como uma bela jovem
    A água nas nuvens tem a forma ilimitada com a qual nos deixou
    No céu. E outras coisas das lembranças sublimadas
    Revela a manha que é poderosa e esplendida,
    E que nos somos convidados dessa eternidade.

    Tradução Fabio R Vieira
    ————————————————————————————————–
    Eu venho do outro lado

    Eu venho do outro lado e não tenho memórias
    Nasci como os mortais, eu tenho uma mãe.
    E uma casa com muitas janelas,
    Tenho irmãos, amigos.
    E uma cela com uma janela fria.

    Minha é a onda, quebrada pelas gaivotas,
    Tenho minha própria visão,
    E uma muda extra de grama.
    Minha é a lua no limite distante das palavras,
    E a recompense dos pássaros,
    E da imortal oliveira.
    Eu caminhei por este continente antes das espadas
    Tomarem o corpo vivente das sagradas escrituras.

    Eu venho do outro lado. Represento o céu exteriorizado em sua mãe
    Quando o céu a martiriza
    Quando me puno para meu próprio aprendizado.
    Para uma nuvem retornando.
    Eu aprendi todo o valor das palavras no galanteio do sangue
    Então eu pude exceder a regra.
    Eu aprendi que todas as palavras se sacrificam
    Para formar uma única palavra: pátria…
    —————————————————————–

    Salmo 9

    Oh rosa além do alcance do tempo e dos sentidos
    O beijo agasalhado pelos cachecóis de todos os ventos
    Surpreende-me com um único sonho
    Que minha loucura irá recuar a partir de você
    Recuando de você
    Na condição de aproximar-se
    Eu descobri o tempo
    Aproximando de você
    No intento de recolher sua forma
    Eu descobri meus sentidos
    Entre a aproximação e o recolhimento
    Existe uma pedra do tamanho do sonho
    Que não aproxima
    Que não recua
    Você é meu país
    Uma pedra que não é como eu
    Portanto eu não gosto de encarar o céu
    Não o faço eu morro rente ao chão
    Mas não sou um forasteiro, sempre um forasteiro.
    ——————————————————————-

    Árvore dos salmos

    No dia em que minhas palavras forem terra…
    Serei um amigo para o perfilhamento do trigo

    No dia em que minhas palavras forem ira
    Serei amigo das correntes

    No dia em que minhas palavras forem pedras
    Serei um amigo para represar

    No dia em que minhas palavras forem uma rebelião
    Serei um amigo para terremotos

    No dia em que minhas palavras forrem maças de sabor amargo
    Serei um amigo para o otimismo

    Mas quando minhas palavras se transformarem em mel…
    Moscas cobrirão
    Meus lábios!…

  13. Poesia Coreana do Pós Guerra

    Yun Tongju’s(1917-45)

    OUTRO LAR

    a noite retornei para casa,

    meus ossos seguiram-me para cama
    a sala escura mergulhada com o universo,

    O vento soprou como uma voz do paraíso
    penetrando sobre meu esqueleto

    Aquele ardor calmamente nas trevas
    não sei se eu mesmo derramava
    meu esqueleto, ou minha bela alma

    Um cão fiel
    late toda noite em trevas

    O cão que late em trevas
    deve estar me perseguindo

    Vamos, vamos

    Como alguém perseguido
    vamos para outro belo lar
    que meus ossos desconhecem

    Kim Ch’unsu (1922- )

    Lágrimas

    -seus inferiores corpos estão molhados
    Um pé de ginseng na noite
    -seus inferiores corpos estão molhados
    alguém que caminhou através do mar,descalço,
    transformou-se num pássaro, eles dizem.
    Apenas a sola de seus pés esteve molhada,
    eles dizem.
    Um homem e uma mulher


    Shin Kyongnim (1936-)

    Depois de fazer as compras

    Nós planejamos ser um povo feliz apenas por poder cumprimentarmos uns aos outros.
    Descascando melões de camurça em frente a barbearia,
    tragando makkolli sentandos no bar,
    todos os rostos frequentes como daqueles amigos,
    falando sobre a seca tomada do sul, ou de custos co-operacionais,
    demarcando o compasso com nossos pés para o violão do vendedor de ervas
    Por que nosso compasso é nostálgico em relação à Seul?
    Deveriamos ir para algum lugar apostar?

    Deveriamos esvaziar nossas carteiras em algum prostíbulo?
    Nos reunimos no quintal da escola, mastigamos tiras de lula com shoio.
    Sem perder tempo com os dias verão e saímos sob o luar em jipes
    carregando um par de galochas ou um único pente de balas extra,
    comovendo nosso lar depois de fazer as compras.


    Kyuwon (1941-)

    Esta é minha vida

    um homem e uma mulher(eles tem
    rostos coreanos)estão
    caminhando no deserto

    Um homem e uma mulher( o homem
    usa um chapéu de vaqueiro
    e está olhando fixamente em frente- um homem
    sem dúvida; e a mulher em uma pose sensual
    olhando fixamente para a câmera-
    uma mulher realmente) estão caminhando no deserto

    As únicas palavras escritas são estas
    vindas de um anúncio do Dongil Renown:

    “ESTÁ É MINHA VIDA—vida humilde”

    ( é humilde!)

    Vida humilde, oh , a imensidão
    dos simbolos do deserto!
    No deserto, não existe uma única pedra aremessada
    em direção a testa da vida—

    (trad. Fabio R.)

    —–
    fonte: 20 ST Korean Literature

    Ko Un
    (Author),

    Young-moo Kim

    Brother Anthony Of Taize

    (Translator),

  14. Kim Su-yóng

    Pensando naquele quarto

    Sem poder fazer a Revolução,troquei apenas de quarto
    Na parede daquele quarto a chamada Lutar Lutar Lutar
    estará ainda guradando a escuridão como um delírio

    Devo ter deixado todas as minhas canções naquele
    quarto,
    e assim, agora,esta secura no peito sem razão
    a parede daquele quarto, será ela o meu peito,os meus
    membros?
    A chamada Trabalhar Trabalhar Trabalhar
    ainda ecoa no peito como um delírio
    Mas já esqueci esta canção e a canção anterior também

    Sem poder fazer a Revolução,troquei apenas de quarto
    sopu agora uma pena enferrujada mais ossos mais um
    olhar insano-
    Aprendo a adotar a leveza da decepção com um
    patrimônio
    Esta leveza, que talvez possa até ser história,
    esta leveza,eu a adotei como um patrimônio meu

    Sem poder fazer a revolução,troquei apenas de quarto
    Mas na minha boca,no lugar de um doce resquício de
    determinação,
    reavivou-se um amaro gosto amargo

    Ainda que eu perca o quarto,os rabiscos,a expectativa,
    as canções e até emsmo a leveza

    eu agora não sei por quê mas estou contente
    e o meu peito, opulento sem razão

    trad. Yun Jung Im

  15. A BUSCA

    Para se refugiar dentro de minhas lembranças boas, tive que esquecer de tudo, menos de você, pois sobre suas lembrança que me trás as melhores poesias, porque em horas de um pleno inocente e puro amor, que nasceu na luz do luar e me veio cativar e foi ai que eu percebi que era você, que nos meus sonhos me alegrava e trazia de volta com você a vontade de amar….

    Ò luz do luar que me veio alegrar e trouxe de volta a vontade de amar.

    Ò lua tão distante vem me presentear, trazer de tão longe a menina que me fez outra vez sonhar.

    Ò luz do luar, diga para ela que espero no mesmo lugar, onde as folhas da parreira jogam se de lá de cima, para fazer uma passarela para você passar.

    Ò riacho que reflete a luz do luar, digas para as estrelas para comentar sobre este amor que todos se põem a conspirar.

    Ò amor proibido, tão querido por nós juras de amor fizemos no mesmo lugar, pensado em outra vez nos encontrarmos, no mesmo lugar, então podermos realizar prometendo a nós mesmos, aquilo que sonhamos e desejamos um para o outro.

    ASS:Ricardo H Zaneti

  16. Outra face do amor

    amor é a incerteza de quem sou.
    É a dúvida de que vivo apenas para mim,
    É esquecer que também sou humano,
    E que a vida também é para mim.

    O amor me tira pedaços e me devora.
    Me sufoca e tortura o coração.
    Já nem lembro mais da minha própria vida,
    Pois tenho vivido intensamente essa paixão.

    O amor é sem dúvida capaz de matar.
    Também é capaz de iludir aquele que é fraco.
    Pois quem ama não vê nada além do amor,
    E se vê algo além, é a sua própria dor.

    Mas o amor também pode ser bom…
    Se quem ama também é amado, então tudo bem.
    Só que nem sempre a vida é boa assim,
    Pois o amor é capaz de tirar tudo de quem tem.

    Gustavo Nascimento

  17. Já não ouço mais meu coração

    Já não ouço mais meu coração.
    Já não vivo mais.
    Sinto repugnância de mim mesmo.
    De meus feitos, tenho aversão.

    Sou ninguém, sou nada.
    Já não sinto mais necessidade de falar.
    Apenas escrevo para não padecer,
    Pois o pior já não posso mais evitar.

    A tragédia do poeta morto!
    Inerte, já não produzo aparência.
    O teatro minguou-se…
    Escorrego e caio em minha vasta irreverência.

    Tomo nota de que já não sou mais eu.
    Apenas não sou eu…
    Já não ouço mais meu coração.
    Já posso ver que de nada essa vida me valeu.

    Gustavo Nascimento

  18. Você é um sonho

    No momento você é um sonho,
    Não passa de uma vontade.
    No momento você é um sonho,
    Amanhã será realidade.

    Você inspira meus versos de amor.
    Me dedica a vida sem saber.
    Te dedico esses versos meu amor
    Num ritmo que você vai conhecer.

    Não conhece a malícia… É uma criança!
    Você é puro, lindo!
    Me dá tanta esperança…
    Alegria, ao teu lado , eu sinto.

    Finalizo meus versos de amor,
    Me lembrando que você é um sonho.
    Mas não importa, seja como for,
    Eu te amo, e não te estranho!

    Gustavo Nascimento

  19. Teus lábios

    O silêncio do silêncio me provoca.
    A bruma da noite me envolve.
    Quando penso que entrei em minha toca,
    Num momento minha casa se dissolve.

    Ah! Se eu pudesse te amar um pouco mais,
    Confiar em você mais do quê em mim…
    Pena que é difícil. Hoje em dia não se faz
    Amores como esse, amores assim.

    Minha casca dourada se quebrou.
    Teus olhos ternos eu não encontrei,
    Mas com teus lábios você me beijou.

    Naquela hora, eu sei!
    Meu coração acelerou,
    E pude perceber, que verdadeiramente te amei!

    Gustavo Nascimento

  20. Outra Vida

    Quando eu morrer e nascer em outra vida
    Vou fazer aquilo que não fiz aqui.
    Nisso consiste o ato de simplismente viver.
    Porque estar vivo não significa viver.

    Nessa vida aqui eu apenas vegeto.
    Vivo inerte, com nenhuma expectativa…
    Por isso que na outra vida eu vou querer sim
    Viver plenamente, de qualquer maneira.

    Ultrapassar os limites de velocidade,
    Trocar figurinhas com um colega de escola,
    Passar a tarde toda em casa, curtindo a família.
    Eu querto é viver cada momento meu, com a alma.

    Quando eu morrer e nascer em outra vida,
    Desejo não me lembrar quem eu fui…
    Porque será uma nova vida.
    Um novo homem, uma nova história, uma nova vida!

    Gustavo Nascimento

  21. Separação

    Distante mais uma vez estou de você.
    Não compreendo essas separações constantes…
    Nos separamos por um motivo tão fútil.
    Você nem se toca enquanto eu falo nese instante.

    Aquele último abraço que você me deu…
    Parece que eu já sabia que ia dizer adeus.
    Mas, infelizmente a vida não tem regras.
    Peço que volte logo pelo amor de Deus.

    Das outras vezes que brigamos
    Nunca houve um distanciamento tão longo.
    Até houve, mas não assim!
    Você sempre voltava correndo pra mim.

    Distante mais uma vez estou do teu amor,
    Que me deu momentos únicos de prazer e satisfação.
    Mas aquele último olhar me causou tanta dor,
    Que arrancou cruelmente meu tolo coração.

    Gustavo Nascimento

  22. Engano

    No escombro causado pela desventura,
    Existe uma pergunta que não quer calar…
    Se eu quis me aventurar nessa loucura,
    É porque não sabia que iria me machurar.

    Você se arrepende?
    Coisa bizarra é ferir o coração de alguém!
    Será que você sente
    O gosto do ódio que eu sinto também?

    Você acariciou minha face com amor…
    Prometeu uma flor e me deu um espinho.
    Precisava me causar tanta dor?
    Eu só buscava um pouco de carinho.

    O candelabro da paixão se apagou.
    As cortinas abertas anunciam ao mundo,
    Que sarcasticamente você me amou
    E fez de mim um vil moribundo!

    Gustavo Nascimento

  23. Volúvel

    O que sinto no momento
    É doloroso demais para se entender.
    É triste, frio… Daí pra pior!
    Não preciso de ninguém pra me compreender.

    Vou e volto, às vezes, no mesmo rítmo.
    E quando mudo, me perco!
    A inconstância ainda faz parte de mim,
    Me faz viver num pesadelo sem fim.

    É agunizante e doloroso o que sinto.
    Não preciso de mãos pra me proteger,
    Nem tampouco de um colo pra deitar.
    Preciso mesmo, de algum modo me conhecer!

    O coração acelera, bate, vibra…
    E eu continuo ensimesmado.
    Resta-me apenas a certeza do amanhã,
    Ou quem sabe, até nisso estou errado!

    Gustavo Nascimento

  24. Te amo

    Eu poderia te odiar.
    Mas por que você me amou
    E nunca me deixou
    Prefiro te amar!

    Eu poderia te mandar embora.
    Mas por que você me acolheu
    E em seus braços me envolveu
    Eu te recebo agora!

    Eu poderia te trair.
    Mas por que você foi fiel
    E me deu um pedacinho do céu
    Eu escolho te servir!

    Gustavo Nascimento

  25. Não há mudança

    Não há mudança!
    Nenhuma mudança…
    Continua tudo no mesmo rítmo.
    No mesmo rítmo e sem nenhuma mudança.

    Bem queria eu possuir alguma coisa.
    Mas não possuo…
    Possuo apenas o desabor de coisa alguma.
    Nenhuma coisa e nada!

    Todos os dias são iguais.
    Até meus domingos tornaram-se iguais.
    Já não sei mais o que fazer.
    Não sou dono de mim e não tenho nada.

    Não há mudança…
    Continuo no mesmo vai e vem de todo dia.
    Não há mudanças e nem nada.
    Não há ninguém aqui agora e nem nunca!

    Gustavo Nascimento

  26. Em nada me reconheço

    Faço de mim um fantoche do destino.
    Deixo-me levar por palavras bonitas.
    Pareço mais um trapo todo rasgado.
    Uma ilusão, uma estrela apagada há anos.

    De mim faço o nojento e o medonho.
    Estou empoado, parado no tempo, inerte.
    Desacredito de promessas, de deuses.
    Desconfio da minha verdade, até porque não a tenho.

    Há muito que não ouço um encômio.
    Não vejo ninguém sorrindo para mim.
    Por isso. faço de mim essa coisa medonha.
    Vivo mesmo porque tenho os olhos abertos.

    E ainda assim não vejo luz.
    Pareço um estranho dentro de mim mesmo.
    Em nada mais me reconheço, nem mesmo me conheço.
    Acabou minha míngua, começou meu lamento.

    Gustavo Nascimento

  27. Lua

    Lua…
    Oh, querida dos amantes.
    Querida dos amados.
    Graças por existir, oh Lua.

    Já vivi tantos amores
    Contemplando a sua luz…
    Querida dos amantes,
    Formosa e esplêndida Lua!

    O beijo que dei ainda há pouco,
    Foi muito mais saboroso,
    Certamente por sua presença,
    Presença de luar, querida minha…

    Todos te admiram,
    Te olham todas as noites
    À espera de sua benção,
    Benção de um luar, luar que é só teu, Lua!

    Gustavo Nascimento

  28. O mundo dá voltas

    Saberá um dia que já não te amo
    Que esse fogo apagou com minhas lágrimas
    E que você foi culpado por nosso afastamento

    Entenderá um dia que a mim você perdeu
    Que eu não entendo essa sua decisão
    E que mesmo assim já não te adoro

    Pensará uma hora em aniquilar sua vida
    Que o seu remorso é tão vil quanto você
    E que não vale a pena sem mim você viver

    Chorará a eternidade por essa resposta
    De sua face fluirão lágrimas de sangue e veneno
    Mas não me encontrará, pois em outro mundo

    Gustavo Nascimento

  29. Mulher

    Dedico essa poesia a você mulher.
    Digna de ser amada, respeitada, contemplada.
    É incrível sua determinação para o que quer,
    É deslumbrante sua postura autenticada!

    Me fascino com sua sensibilidade…
    Seu companheirismo me deixa maravilhado.
    Mulher, sinônimo de fidelidade,
    Tornou-se para o mundo, um ser consagrado!

    Dentro de você há vida.
    É, sem dúvida, a criação mais privilegiada.
    Torre forte, valente, jamais será vencida!
    Mulher, você carrega o dom de ser amada.

    Que todos conheçam a sua virtude, seu interior…
    E saibam, que haja o que houver,
    Passe o que for,
    Gloriosa sempre será você, Mulher!

    Gustavo Nascimento

  30. Desição

    Decidi que vou subir naquela torre,
    Vou gritar com todo meu folêgo
    Que sou uma merda de infeliz.
    Farei de tudo para que conheçam minha infâmia.

    E depois de gritar ao mundo minha imperfeição,
    Descerei dessa torre e irei para o mar.
    Lá, engolirei água salgada e mergulharei na morte,
    Com a esperança de ser ouvido, pelo menos uma vez.

    E se eu não for compreendido ou ouvido,
    Voltarei para a torre alta e pularei lá de cima…
    Por que sem dúvida não haverá volta.
    Sem dúvida morrerei feliz, porque infeliz estou aqui.

    Então, tudo estará consumado!
    Já não sofrerei tanto como sofro nessa farsa.
    Restarão apenas ossos e restos do meu corpo mórbido.
    Onde estarei não sei, apenas espero que não haja vida…

    Gustavo Nascimento

  31. O Sol já vai se pôr

    O Sol já vai se pôr…
    E eu mais uma vez o vejo sozinho.
    Ele vai embora,
    E junto dele vai o seu carinho.

    É triste ser solitário.
    Mais ainda se for por falta de você.
    O Sol se vai, mas a Lua o substitui.
    Você se foi e ninguém veio me preencher.

    Quem me dera ter um final feliz…
    Uma resposta boa do destino.
    Mas não tenho.
    A solidão parece ser meu único caminho.

    O Sol já vai se pôr…
    Espero tanto por você, quero que volte!
    Por que contemplar o Astro Rei sem sua companhia,
    É pior até mesmo que a própria morte.

    Gustavo Nascimento

  32. Eu sou um Poeta

    Eu sou um poeta,
    Que vive imaginando coisas mil,
    Que carrega em seu âmago a inspiração,
    Que parece aos homens uma coisa vil.

    Eu sou um poeta,
    Que adora experimentar o oposto,
    Que cria versos baseados na rotina da vida,
    Que anda em busca de um novo gosto.

    Eu sou um poeta,
    Que dança a melodia doce da poesia,
    Que explora novos mundos com a alma,
    Que celebra o dom da vida com alegria.

    Eu sou o poeta,
    Que busca de contínuo sua Lenda Pessoal,
    Que não tem medo de falar a verdade,
    Pois sou um poeta e ponto final.

    Gustavo Nascimento

  33. O amante

    De repente eu ouço um murmúrio:
    Era você, chegando de madrugada.
    Célebre meu coração bate, e me orgulho
    De ver você chegando toda ataviada!

    Você veio…
    Jamais pude imaginar que realmente viesse.
    Dê-me o teu seio!
    E junto à minha boca façamos o que enlouquece.

    E mais uma vez ouço um murmúrio e assusto.
    E curioso bate meu coração…
    Olho na janela, e quem está no arbusto?
    Seu amante, te fazendo uma declaração!

    Isso doeu mais que um punhal em meu peito.
    Se ao menos tivesse se explicado…
    Você foi com ele, e ter você não é meu direito.
    Agora eu sei… Foi um erro ter te amado.

    Gustavo Nascimento

  34. Indiferente

    Se eu te amo, você me detesta.
    Se eu te beijo, você me morde.
    Se eu digo que quero casar com você,
    Você logo diz que prefere a morte.

    Se eu te presenteio, você me rejeita.
    Se eu te procuro, você foge de mim.
    Se eu te abraço, você faz ar indiferente.
    Se eu faço de um jeito, você pede assim.

    Enquanto te olho, você se esconde.
    Enquanto te desejo, você procura outro.
    Enquanto te adoro, você me desdenha.
    Enquanto eu vivo, você me prefere morto.

    Então, quando desisto você muda de ideia…
    Enquanto a gente faz amor o meu coração palpita.
    E, assim, me vejo preso em você.
    Pois apesar dos pesares, a mina carne com a sua, se agita!

    Gustavo Nascimento

  35. Longe de mim

    Longe de mim…
    Longe de mim tudo que me desmonta.
    Tudo que tira meu folêgo
    E me ranca as amoções.

    Tudo que me tira a paz.
    E também tudo que me dá medo.
    Longe de mim…
    Longe de mim meu passado obscuro.

    Também quero longe de mim
    Aquilo que me faz tremer e suar.
    Parece uma mistura de não sei o quê,
    Mas quero sem dúvida, que fique longe de mim.

    Longe de mim a loucura dos homens.
    Longe de mim as frases feitas.
    A corrupção das esquinas, o resto de tudo…
    Longe de mim meu palpite, e também verdade destorcida.

    Gustavo Nascimento

  36. Ser homem

    O homem que assume que sofre e chora
    É mais homem que todos os outros.
    Ele assume sua sensibilidade.
    Ele tem persuasão de seus sentimentos.

    O homem para ser homem,
    Não precisa ter preconceitos ou ser machista.
    Basta saber quem ele é
    E do que precisa para ser feliz.

    Nem sempre aquele que bate é o mais forte.
    Ser forte é saber conter seus impulsos,
    Abrir mão de certas atitudes irracionais…
    Ser homem é ser acima de tudo, gente!

    O homem de verdade é aquele que assume seus erros.
    É aquele que diz obrigado por um pequeno favor…
    Esse homem é mais homem que muitos donos de músculos,
    Pois ao invés de músculos, ele tem um cérebro e um enorme coração!

    Gustavo Nascimento

  37. O retrato

    Olhos tristes, lacrimejando o vazio.
    Face a face com a solidão.
    Está de frente com o seu medo
    E se esconde na sua própria escuridão.

    A menina dos teus olhos não tem nexo.
    É vazio o seu interior…
    Quem te olha, logo vê a maldade dos homens
    Porque isso reflete no seu exterior.

    Sua pinta é o monumento do pecado.
    Parece que não tem fim…
    Ternura, amor, paz… Isso você não tem!
    E se interessa por coisas que são ruins.

    Rosto sombrio, pavoroso!
    O que se passa mesmo dentro de você?
    Me diz que é mesmo você?
    Perguntas vãs que ninguém jamais conseguirá responder…

    Gustavo Nascimento

  38. O que devora

    O que anda me devorando não sei,
    Mas percebo diariamente que algo me tira pedaços.
    Ontem foram meus olhos, hoje a boca.
    Amanhã o que vai ser?

    O que anda me matando é desconhecido.
    Essa metáfora me assusta.
    A redoma que me prende não me permite agir…
    Por causa dela estou morrendo por falta de mim.

    O lusco-fusco vai chegando aqui perto,
    E é nessa hora que me arrancam partes.
    Tudo permanece estável…
    Mas daqui a pouco o reboliço começa!

    Passou e foi embora…
    O que agora me tirou o coração é embaçado.
    Não o vejo, nem o sinto mais.
    Mas fiquei sem coração, fiquei sem nada, sem mim.

    Gustavo Nascimento

  39. Sonho distante

    Imagine um Brasil sem preconceitos.
    Sem discriminação, sem racismo.
    Um país unido pelos direitos.
    Sem orgulho, nem estrelismo.

    Sem fome, sem roubo, sem morte.
    Uma nação cheia de vitórias.
    Longe do azar, mar perto da sorte.
    Conquistando a moral, escrevendo novas histórias.

    Um Brasil lavado pela branca paz.
    Dentro dos seus muros o amor sobre cada brasileiro.
    O amor que certamente faz
    Desse povo, um povo guerreiro.

    Gustavo Nascimento

  40. Olhava as estrelas

    Já lá vai o tempo em que olhava
    as estrelas, sozinho numa qualquer viagem
    e pensava:
    Que amor estará reservado para mim?
    Olhava as estrelas e chorava a falta de ti,
    de ainda não te conhecer.
    Era jovem, era novo, era tolo.
    Não sabia o que esperar.
    Olhava as estrelas e chorava a falta de ti.
    Sempre senti a tua falta na minha respiração,
    condicionada pela ausência do teu sorriso
    que afinal de contas, eu não conhecia.

    Já lá vai o tempo em que olhava
    as estrelas e perguntava à Lua:
    Que amor está reservado para mim?
    Olhava as estrelas e chorava a falta de ti.
    Como qualquer rapaz novo
    julgava eu que era!
    Como qualquer sonhador
    que procura nas estrelas a resposta,
    a solução para o respirar ofegante.
    Mas afinal, o meu problema era precisamente esse!
    O fraco respirar.
    Não sei, o ar parecia não ser suficiente.
    E perguntava às estrelas:
    Onde estás, meu amor?
    Onde está o meu amor?

    Olhava as estrelas e chorava a falta de ti.
    Era jovem, era novo, era tolo.
    Não sabia o que esperar.

    E agora o tempo vai, o tempo
    segue o seu caminho e o meu respirar…
    Bem, o meu respirar é ofegante!
    Parece que as estrelas me responderam.
    Parece que a resposta eras tu,
    parece que estava escrito nas estrelas.
    A Lua, dissimulada, nada me disse!
    Mas este respirar, este excedente de ar
    que quase faz rebentar os meus pulmões
    que quase faz saltar o meu coração para fora de mim.
    Este respirar diz-me que és tu,
    és tu a estrela que me faz ficar fora de mim.

    Olho as estrelas agora, e já não choro.
    Pelo menos, não choro de tristeza!
    Sinto a emoção crescer dentro de mim,
    sinto o sentimento.
    Sinto que o olhar as estrelas afinal fazia sentido.
    Sinto que o olhar as estrelas era esperar por ti.

    E agora, que te tenho a meu lado,
    sinto que sou o sonhador mais felizardo!
    Sinto que o amor afinal existe
    sinto que afinal o respirar fazia sentido.
    Sinto que havia sentido em respirar.

    Olhava as estrelas e chorava a falta de ti.
    Era jovem, era novo, era tolo.
    Não sabia o que esperar.

    Agora o tempo passa e eu não vejo
    o tempo passar.
    Agora as estrelas chegam mais cedo
    e vão-se embora mais tarde.

    Agora tudo faz sentido, porque a Lua está aqui.
    Consigo vê-la aqui, bem a meu lado.
    Consigo ver-te e ter a certeza que não há,
    Não existe… um céu mais estrelado.

    Fernando Araújo
    (www.mnoctem.blogspot.pt/)

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