Idéias pequeninas I

*EMBRIAGUEZ*

Há cores demais pra vestir-
cabeças latentes
em guarda-chuvas

*SEGREDO*

vale colhêr
o som quando cobre-
dois queixos imóveis

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Aprendendo o Poetrix

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Pagão

Ainda brotam-me na pele
Brutos diamantes translúcidos
E na minha boca o gosto
De todas as manhãs de domingo
Ainda repousa em meu corpo
Brumas de um perfume antigo
Dos feitiços das terras do fogo
Nossas noites de oferenda
Corpos celestes movimentando-se
Lentos enfileirados sobre nossas cabeças
Nas dunas de uma areia santa
Brincam o vento e a brisa quem vem de ti
Eu como um mar tempestuoso
Quebrando-me sobre falésias de nostalgia
Rochas monumentais que ainda adoro
Sou pagão numa religião perdida

Ainda vive…..

Milhões de quilometros se passaram até que voltasse a postar no “Poesia e Cia” ,mas o blog só precisa de mais um pouco de sangue novo para voltar a viver com força.Por isso quem se interessar em publicar nesse espaço não se faça de rogado, todos serão bem vindos.

Fabio R.

*

DA CIDADE ÀS PERSIANAS

À cidade: ansiedade;

Veio tatear com negros palpos
O repousar dum homem temeroso
Mordazes, como outrora, eles são:

No pulso destoante as sirenes
Na atmosfera metalina, adentrando  pulmões
Na condensação da calma em suor

á minar as forças,
E no torpor onde  se emaranha
Qualquer outro sentido de consolação
Que o seu estágio clínico reverta

À cidade: improbabilidade;

De nunca esbarrar em paixões imensuráveis
De alguns segundos duradouros
Entre  ordinárias travessias

De no fim do expediente não
olvidar-se dos prazos,
e desfrutar a companhia,
mesmo que lhe satirizem.

Da cidade: ferocidade;

Na disparidade entre as classes
Que roteiriza tragédias traumáticas
Que destoam em síndromes coletivas

Na trajetória retilínea dos pássaros
Contra os pára-brisas
No endividamento da’lma sânie.

Na cidade: oportunidade :

De saldar os danos, a cicatriz.
De ir e vir-se a transformar
Em vivência solidária

Argüir-se partidário do amicíssimo
E de, por fim, fender as persianas:

Para cumplicidade!

O TEMPO(ONTEM, HOJE, AMANHÃ)

O Tempo põe sobre as coisas a mão,

E nelas vem fazer suas mudanças.

O início e o fim são eternas danças,

Que bailam nesta vida sem razão.

 

Ontem: o início, doce sensação,

Promessas de diversas esperanças.

Hoje: terríveis garras de vinganças:

O Amor desfeito na separação.

 

E nesta roda de desesperança,

Este Tempo tem muita crueldade,

E deixa um acre sabor no que lança.

 

Amanhã: já vem a penalidade,

Uma dor há de viver na lembrança,

Porque no fim do Amor nasce a saudade.

           E.A.S  Ed Silva – 20/11/2009 – SP

O RIO

O Rio 

Rolou uma gota,

Solitária e pequena,

Correndo suave e serena,

E, antes que pudesse secar,

Outra se pôs a rolar.

 

E desde aquele instante,

A água tornou-se constante,

Onde havia o vazio,

Passou a correr um rio.

 

O rio que corre é incessante,

Um rio de águas turvas,

Que do CORAÇÃO ao semblante,

Rompe as retas e as curvas.

 

E, quando secarem se as águas,

Persistirá o rio das MÁGOAS

ED SILVA – SP -15/07/2005

 

Dádiva

Hão de consumar a  falácia em fetiche!
Seres que  enlaçam moralmente  os seus amavios
Pois desatina-me em silhueta a sandice
Avidamente á cozer em brasa  arrepios!

No que Eros lhe convém,glutonaria e sevícia
Rosados pomos a abrigar com gentileza
Um sereno mirante em sáfara vereda
Vassalo epiceno ao gozo e a carícia

Em seus dotes a tentação se torna cálida
Verte-se em compulsão sua tara esfaimada!
Como se minaz fosse a sombra do zelo

Ao extase que os arrebata mais belo
Assim plena a devassidão é deslumbrada!
Furtiva e  imoral como perfazida dádiva

*

2008-Fábio R.Vieira

A Lua dos Loucos

No meu telhado, tem uma nave
Tem estrelas, lumináres, tem querubins alados
Tem um espaço inteiro reservado
Exclusivo, dedicado.
Meu telhado é um santuário

No meu telhado, tem uma chave
Que abre todos os portais dos teus sistemas solares
Tem um caminho de cristais, de quazáres
Como nas estradas de Minas Gerais,
estrada de pó de estrelas, de pedregais

No meu telhado, há cobertas para suas orelhas
Do sereno, do silêncio, de cometas
Das lágrimas de núvens apressadas
Em busca do amor do mar,
para deitar as suas crias, tempestades

O meu telhado é sustentado
Não por paredes de esperança,
mas, por colunas de madeira
Que eram vidas nas colinas,
que eram árvores paroleiras

No meu telhado mora um anjo
Que é o teu anjo da guarda,
meu amigo das madrugadas
Que me diz os teus segredos,
aquêles que tu confessas, quando rezas

No meu telhado há borboletas
Que eram lagartas sonhadoras
Se cansaram de não ter asas,
de estar ao chão atoa

Do meu telhado eu vejo a assombrosa aparição
Que no céu dos loucos crescentes, flutua nua
A Lua cheia de grandes confabulações

No meu telhado, a gravidade é minguante
Não há força que nos separe
Não há medo, nem saudades,
Sê deitares no meu divã.