Mãos Negras(por Piá Montenegro)

Rio
Desce tuas doces águas turvas ladeira abaixo
Que de tanto perder, virou ácido
Lava essa alma que se fez plúmbea
Pela omissão
Pelo medo
Deixa o branco da paz se aconchegar
Serenamente
No colo daqueles que te pariram
Em quartos de janelas panorâmicas
Ouro e latões coexistindo
Separados pela maior das muralhas
A da indiferença humana
A da exclusão social
Perversa
Palpável
fecunda
Tudo visto dessa janela
Rio….sorrio…só Rio!

Permita
O negro da pele luzir pelo suor digno
Do trabalho
O róseo das faces de tuas crianças
Que desenha sonhos em papel de embrulho
De cocas e craks
Que pirilampa em céus de balas perdidas
E vezes, achadas por corações inocentes
Abatidas!
Aviõezinhos de carne e osso
Reféns da usura
Do medo
Da covardia
Que possam suas mãozinhas inocentes
Colherem um futuro de amores-perfeitos
Permita que desse céu, o anil
Não seja esquecido
Nas sombras do metálico fuzil
Ah, Rio, tu és o coração pulsante
Desse meu Brasil!
E por fim
Permita que
O oliva dessa bandeira
De um país de desordem e progresso
Tremule a esperanças
Que está, e sempre estará
Nas tuas crianças!

Piá Montenegro

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Idéias pequeninas I

*EMBRIAGUEZ*

Há cores demais pra vestir-
cabeças latentes
em guarda-chuvas

*SEGREDO*

vale colhêr
o som quando cobre-
dois queixos imóveis

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Aprendendo o Poetrix

Ainda vive…..

Milhões de quilometros se passaram até que voltasse a postar no “Poesia e Cia” ,mas o blog só precisa de mais um pouco de sangue novo para voltar a viver com força.Por isso quem se interessar em publicar nesse espaço não se faça de rogado, todos serão bem vindos.

Fabio R.

*

DA CIDADE ÀS PERSIANAS

À cidade: ansiedade;

Veio tatear com negros palpos
O repousar dum homem temeroso
Mordazes, como outrora, eles são:

No pulso destoante as sirenes
Na atmosfera metalina, adentrando  pulmões
Na condensação da calma em suor

á minar as forças,
E no torpor onde  se emaranha
Qualquer outro sentido de consolação
Que o seu estágio clínico reverta

À cidade: improbabilidade;

De nunca esbarrar em paixões imensuráveis
De alguns segundos duradouros
Entre  ordinárias travessias

De no fim do expediente não
olvidar-se dos prazos,
e desfrutar a companhia,
mesmo que lhe satirizem.

Da cidade: ferocidade;

Na disparidade entre as classes
Que roteiriza tragédias traumáticas
Que destoam em síndromes coletivas

Na trajetória retilínea dos pássaros
Contra os pára-brisas
No endividamento da’lma sânie.

Na cidade: oportunidade :

De saldar os danos, a cicatriz.
De ir e vir-se a transformar
Em vivência solidária

Argüir-se partidário do amicíssimo
E de, por fim, fender as persianas:

Para cumplicidade!

Dissidências

fonte:Agência Carta Maior Crédito:Eduardo Seidl

fonte:Agência Carta Maior Crédito:Eduardo Seidl

No alvo da metrópole as posses,
decolam para mim e não para o outro,
que molambo na rua vive do escambo .

Não há outro, cozinhando as favas
e nada retendo aos dias ainda “in útero”
na coluna das dissidências;
rebate um fulgor ressabiado!

Alveja a matilha o jargão publicitário,
que torna crime qualquer inquisição

No entanto, num futuro utópico, não será mais preciso ostentar em
emblemáticas camisetas,o tom do sangue :

Em punhos cerrados
não há falhas:
Pátria de canalhas!

****

Fabio R. Vieira-Texto protejido conforme as Lincensa “Creative Commons”

***

Questões para(auto) análise:

quais os benefícios desse tipo de ação para o país? e para a postegarda reforma agrária?

o que vc acha desse tipo de ação ser financiada com dinheiro público?

esse tipo de prostesto não passa simplesmente (sempre) de uma manobra politica?

****

dados da imagem:

fonte:Agência Carta Maior

Crédito:Eduardo Seidl(foto)

*link direto da imagem para a reportagem

Dádiva

Hão de consumar a  falácia em fetiche!
Seres que  enlaçam moralmente  os seus amavios
Pois desatina-me em silhueta a sandice
Avidamente á cozer em brasa  arrepios!

No que Eros lhe convém,glutonaria e sevícia
Rosados pomos a abrigar com gentileza
Um sereno mirante em sáfara vereda
Vassalo epiceno ao gozo e a carícia

Em seus dotes a tentação se torna cálida
Verte-se em compulsão sua tara esfaimada!
Como se minaz fosse a sombra do zelo

Ao extase que os arrebata mais belo
Assim plena a devassidão é deslumbrada!
Furtiva e  imoral como perfazida dádiva

*

2008-Fábio R.Vieira

EPITÁFIO PARA UM AMIGO IMAGINÁRIO

Como forjar o arrepiou da pele frente às gotas de chuva?
Como forjar coragem frente às barbas do medo?
Como esquecer da falta de ar ao engatilhar o cobiçado beijo?
Como esquecer o cheiro do sexo impregnado mesmo após o banho?

Há tantas coisas que podem incitar a vertigem;
Até mesmo para um amigo imaginário, uma sombra.
Há tantas coisas que podem ludibriar a lucidez;
Até mesmo para um cônego, um estandarte;

Não um daqueles confeccionados em manufatura
Urdida pelo tear da aliciação, aquele de inerme mote.
E sim aquele trançado a partir do fidalgo linho
Que por persistência da vocação é emplumado.

Como poupar-se das gafes ao encontro do auto-conhecimento?
Como poupar-se da frustração á espreitar o encalço da fortuna?
Como confiar na fresta entreaberta entre a cela e a fuga?
Como confiar na areia que assovia pelos vértices da ampulheta?

Há tantos segredos incrustados entre o riacho e a relva;
Até mesmo para a enxurrada que á ambos farta.
Há tantos ressentimentos á fecundar desventuras;
Até mesmo para um infausto que julgou todas desbravar.

Um soldado iconoclasta, centelha da submissão;
Entrincheirado nos poços de enxofre,
Vomitados de lucíferas bocarras,
Arrebatadas da humana ostentação.

Por fim,como deixar o para trás o aconchego do lugar comum?
Por fim,como deixar diminuído o inelutável?
Como ser o algoz da própria assunção?
Como ser agente e não apenas recordação?

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Escrito por Fábio R.Vieira,

em homenagem a vida e a obra

do poeta português Fernando Pessoa

Além da Crença

( AS COBRAS-LUÍS FERNANDO VERISSÍMO)

Se A comunga com B,
E flerta com C uma intersecção,
Isso é silogismo ou traição?

Assim como a retórica do corpo,
Arquitetando uma experimentação,
Pelas vias do imoral!

Enquanto teóricos vislumbram,
Galáxias no papel para decifram,
Onde é concebida a metafísica!

Além da crença a ação,
Dum matreiro avarento,
Contabilizando o valor venal,
Da sua progênie avariada!

Além da crença o cético evangeliza,
Desapego em tuas memórias,
E no ocaso das forças,
Roga pelo aconchego á Nossa Senhora!

Enquanto práticos dissecam nervos,
Localizados no solilóquio da abstração,
A fim de responder se é celícola ou perversa?
A procedência da motivação!

Além da crença o vernáculo,
Simboliza a transmissão chuviscada,
Duma inventividade vigiada!

Quem soletra: Da-nem-se!
Os teóricos e os práticos!

Uma vez que além da crença,
Há somente estupidez!

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Por Fabio R.