Delicadeza

destilam-se pensamentos
das nuvens de palavras
sensualmente deitam-se nos versos
sobre uma folha branca

então contam-se as sílaba, vocábulos
como se os versos tivessem ossinhos
ossinhos de porcelana, de passarinho

segure o poema de mansinho
para não machucar
que por entre dedos
escorreram os sentimentos

Num só movimento
reflete nos olhos, metáforas
enquanto a boca enche-se d’agua
e a língua banha-se na alegoria
poesia é alimento,
que sem morder,
engula sem pensar