Mãos Negras(por Piá Montenegro)

Rio
Desce tuas doces águas turvas ladeira abaixo
Que de tanto perder, virou ácido
Lava essa alma que se fez plúmbea
Pela omissão
Pelo medo
Deixa o branco da paz se aconchegar
Serenamente
No colo daqueles que te pariram
Em quartos de janelas panorâmicas
Ouro e latões coexistindo
Separados pela maior das muralhas
A da indiferença humana
A da exclusão social
Perversa
Palpável
fecunda
Tudo visto dessa janela
Rio….sorrio…só Rio!

Permita
O negro da pele luzir pelo suor digno
Do trabalho
O róseo das faces de tuas crianças
Que desenha sonhos em papel de embrulho
De cocas e craks
Que pirilampa em céus de balas perdidas
E vezes, achadas por corações inocentes
Abatidas!
Aviõezinhos de carne e osso
Reféns da usura
Do medo
Da covardia
Que possam suas mãozinhas inocentes
Colherem um futuro de amores-perfeitos
Permita que desse céu, o anil
Não seja esquecido
Nas sombras do metálico fuzil
Ah, Rio, tu és o coração pulsante
Desse meu Brasil!
E por fim
Permita que
O oliva dessa bandeira
De um país de desordem e progresso
Tremule a esperanças
Que está, e sempre estará
Nas tuas crianças!

Piá Montenegro

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Um pensamento sobre “Mãos Negras(por Piá Montenegro)

  1. Com a invasão tardia do Estado nas favelas do Rio de Janeiro – reféns de traficantes e tantos outros males – essa foi minha forma de drenar.

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