Pagão

Ainda brotam-me na pele
Brutos diamantes translúcidos
E na minha boca o gosto
De todas as manhãs de domingo
Ainda repousa em meu corpo
Brumas de um perfume antigo
Dos feitiços das terras do fogo
Nossas noites de oferenda
Corpos celestes movimentando-se
Lentos enfileirados sobre nossas cabeças
Nas dunas de uma areia santa
Brincam o vento e a brisa quem vem de ti
Eu como um mar tempestuoso
Quebrando-me sobre falésias de nostalgia
Rochas monumentais que ainda adoro
Sou pagão numa religião perdida