A vida em quadrinhos

A Lenda do Sub-Homen

As Super-promessas
Dos Super-discursos
São um Super-engano
Para os Super-ingênuos

Foram Super-idiotas
Na Super-votação
Fazendo Super-demagogo
Um Super-Campeão

Agora que o Super-político
Tem seu Super-escritório
A sua Super-memória
Deu-se um Super-apagão

Enquanto na Super-votação
Do Super-congresso
Seus Super-salários
Recebem Super-aumento

As Super-corrupções
Dos Super-dirigentes
São Super-abafados
Em Super-reuniões

E mesmo que os Super-ingênuos
Façam Super-manifestação
Contra os Super-aumentos
Contra os Super-campeões

A Super-polícia
Com seus Super-camburões
Desperçam com Super-violência
As Super-manifestações

E a estória se repete
Com detalhes e confetes
Político são os mesmos
Hoje, ontem e sempre?

Os Super-corruptos
Com suas Super-mansões
Com seus Super-feriados
Com seus Super-carrões

Deixam a população a merce
Sem respostas e sem saída
Sem saúde e sem ajuda
Sem coragem pra vencer

Vencer a vida sofrida
Vencer a ignorancia maldita
Vencer as drogas e armas
Vencer nas votações

Até na Liga da justiça
Nem Advogados e Doutores
Nem Juizes e Julgamentos
Nem mesmo Legisladores

Quebram a Super-corrente
Da sociedade Super-doente
Super-complacente
Do sub-mundo, de super-vilões

Somente os sub-humanos
Enfrentam Super-fome
Nos subterrâneos
Da Super-nação

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Carne Crua


Mesmo que a presa corra em desespero
E procure uma saída do atropelo
Mesmo que a corrida seja plena
E a geografia seja sana

Mesmo que o vento espalhe o cheiro
Entre as árvores e colinas
Desviando o desejo
Fabricando sem sucesso

Calculando o movimento
Salivando o contento
Almejando o momento
Vendo a carne nua e crua

Carne crua alimentada
Pelo sangue quente e fresco
A besta ainda procura
Prosseguindo na aventura

Mas a presa já cansada
Sem reclíneo no momento
Sem destino e já perdida
O passo perde o intento

Vem a besta aproximando
Sua força avantajada
Com os dentes tão pontudos
Suas unhas amoladas

Provam a carne crua e quente
Sem demora e sem piedade
Com a vitória ao alcance
O extinto faz presente

Enquanto a presa perde a carne
Do seu corpo em despedaço
Com a dor de um segundo
Com a vida por um laço

A presa cai em um instante
Como o golpe determina
Com a besta já em cima
Posição de assassina

Mas a presa nao desiste
com o pouco que lhe sobra
Com uma manobra inesperada
Um solavanco, uma patada

Acerta a besta por um encanto
Arranca a carne de um tanto
Tantos ossos revelando
Que o sangue fica jorrando

Com o sangue não distinto
O horror e os despedaços
Pela terra assinalada
Deixa o solo em vinho tinto

Misturas as carnes nua e crua
Como uma trégua sem diálogo
Departem uma da outra
Com os corpos delacerados

Com o sangue ainda vertendo
A besta sem força e sem contento
Cai ao lado agonizando
Com a carne ensanguentada

E a presa sai marchando
Mas com a sorte do seu lado
Sem lamento e sem demora
Vivendo de um golpe afortunado

Exposta a outras bestas
Que o duelo assistiram
A Besta ficou no chão sofrendo
Com a carne nua e exposta

Vira presa sem demora.