PEDRAS NA MÃO

Mirando o ar, a imensidão, o sujeito
Estancou a ilusão, recobrou os sentidos;
Estava cativo, era vilão…
Constatação!
Ferira a alma e o pensamento;
Prova de tal imperfeito?
Estava com as pedras na mão.

by jorge-arildo

Anúncios

Natal Dantesco

Hou, hou, hou! O natal chegou!
E as hienas devoram a carniça do consumismo,
Numa solidariedade movida a egoísmo
Que o obeso Noel organizou.

Do aniversariante ninguém lembrou!
Não é interessante para o capitalismo.
Cristo nos ensinou o comunismo,
Mas um punhado de moedas o crucificou.

Mãos gordurentas numa mesa cheia.
Gargalhadas demoníacas encharcadas de vinho.
Bocas arrotam com a pança cheia

Sobre o peru morto com tanto carinho.
E o aniversariante, sem sapato e sem meia,
Dorme embaixo de uma marquise, sozinho.

(Fabean Batista – 24/12/2007 à 29/01/2008)

Desiludido

Oh!Coração banido
coração banido!
Ainda existe o pobre e desiludido?
A espera de um soluço reprimido!
Nestes dias atuais
a tristeza é o remédio de minha fraqueza
serás assim então?
Nesta vida bela e tão sofrida…
o gosto amargo quando vejo o seu retrato !
Este destino que jamais serás como velho conhecido
nessa caminhada sem tréguas!
O incerto não sei…
porém vos digo
que meu chão não tem sentido !!!!!
Quando a saudade bate ao meu ser
minha mente fecha, meus olhos entristece
meu espírito se envaidece
desta nostalgia fria e amiga…

João Paulo Pio li 11/03/08

O dia em que Augusto dos Anjos me inspirou

Rompo os nós
Desconstruo esse mito
De que mulher é amor, docilidade e delicadeza
Que comporto em mim uma ética do cuidado inerente à minha condição de fêmea
E retira de mim, na mesma medida, a sujeira, o forte, o grosso, o insensível
Sou eu também tesão e ódio
Não querer ser deus,
Não sou à sua imagem e semelhança
Também não desejar ser Maria
Postar-me como sempre virgem, submissa e com os olhos voltados para baixo
Questionarei a bíblia e o seu mito do paraíso perdido
A mulher como a imagem do diabo
Elevarei meu pensamento para meu umbigo
E parirei dele uma placenta com uma flor dentro
Cagada, medrosa e sem pétala
Que feia e desidratadaMal nascia e já morria
Seu fôlego foi tão intenso
Que desaprendeu a respirar
Seu primeiro suspiro se tornou também o seu último
E ela viveu como ninguém jamais devera ter vivido.
Nesse mundo de crises, guerras, machismos, muitas outras cagadas e flores artificiais
Não desejo ser essa flor
Tampouco o cravo que a despetalou
Desejaria ser simples e intensamente
Esse sopro de vida que não sou.

21/06/2004)