FOTOCÓPIAS

Por Fabio R

Outro assinou pelos livros,
Que de meus monólogos haveriam de saltar!
No chão já não provém mais abrigo,
Árvores que mi’as mãos deveriam cultivar
!

E pelo que não criamos,
E pelo que não zelamos,

Somos relés fotocópias!
Duma imperfeição imperativa,

A esmaecer no calço das repartições….

Na indisposição funcional do atendente
Um desapreço pela graça do sustento!
Em sua pele o cancro sobressalente
No abandono,toma posse do sujeito!

E pelo que não agradecemos,
E pelo que não remediamos,

Somos moldes em barro!
Trincados em vestes grosseiras,
Exclusos de qualquer admiração….

Por parte do ceramista,
Por parte da clientela,

Em parte pelo que não notamos,
Em conjunto pelo que não queremos!

Em todo pelo que não fazemos,
Em tudo pelo que não desculpamos!
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Dedicado ao “Erva Daninha” Álvaro de Campos(Fernando Pessoa)

Trajado de Tragédias

 

Vestido ou Pelado

Quando a miséria quer seus bens

Não tem pena do mal trajado

Ou das tragédias que lhe convém

 

Vamos a rigor

Para festa que personalidade e caráter não entra

 

Pode usar a camisa da preguiça

Vestir aquele paletó – de dó

Não esqueça na cabeça

Do chapéu cruel

E nas mãos, a mala sem alça…

 

Desafortunado é aquele vestido de vestígios:

Dos males da sociedade.

Coitado é aquele pelado, sem traje da verdade.

 

Os verdadeiros pedintes

Estão entre nós, a espreita da inveja

 

Mendigo não se traje

Ultraje…

 

 

Dedicatória:

Aos mendigos de Rua  – Os verdadeiros trajados de tragédias

Aos mendigos do nosso Contexto – Miseráveis que usam o terno do ultraje…

 

Legitimidade

Grafiti em periferia

LEGITIMIDADE

Deboche de alusivas possessões

Contate as valiosas indagações

Legitime caóticas encenações

 

Tracejando narcóticas transmissões

Personificando maléficas justificativas

Saqueando epiléticas discursivas

 

Aferindo os valores outrora engajados

Transcrevendo-os em rumores forjados

Empunhando as armas para o assalto

Saudando a submersão das autarquias

 

Calçada de cimento e lamento

Calçada de cimento e lamento

 

Ás vezes são vidros de veículos
Que separam dois mundos distintos
O meu, é pertinente às perguntas justas
Aquele, simplesmente permeia respostas injustas…
São pessoas esperando o tempo passar, como condução
Na falta de esperanças, remédio ou solução
Muitos abandonaram seus minutos de fé – em pé
Por horas sentados, na calçada de cimento e lamento
Mulheres, jovens ou velhas, de cócoras parem fofocas
Repartem acontecidos porque ninguém aparta seus caminhos
Homens, de todas as idades, esquecem da vida
Naqueles segundos entregues ao gole da bebida
Crianças, grandes ou pequenas, brincam e choram
Muitas vezes descalços, não sabem que seus futuros estão sem calço…
Estão todos naquele chão, Seus presentes e sonhos concretados em vão
Assim, sentados – De rostos acinzentados
Pelo cimento debulhado sem traço…
Suas vidas são cinzas
Pela fumaça sinistra,
De verdades cremadas…

Político Edílico

politico.jpg 

Edílico é político lírico…

Seu nome coincidentemente gera seu renome : Vereador

Mas tanta rima é porque quando cita Senhor Edílico vereador, vereda dor…  

Em palanque, se põe ofegante

Toma partido de ofendido e faz pedidos…

Suas mãos gesticulam

Suas palavras articulam 

E no lugar de politizar, se faz poetizar… 

 “_Falar demais idealiza demasia

Fatalmente enfeita fantasias

A gosto, magoa demagogias” 

 “_Por isso, me recinto, e sinto…

No dever, de ver, antes de deveras dizer

Dizeres, dotado de desprazeres!” 

“_Mas vejo tanta gente, saindo pela tangente

São sujeitos indecentes, sendo regentes…

Da nobreza infame,

Enquanto quantos tolos são unânimes?” 

“_Ponham em clarividência suas evidências!

Furtar refuta, é fim de reformas e lutas…

Exijo extermínio ao exílio dos excluídos” 

“_Nobres amigos, políticos idílicos…

Faliu a fila da filantropia de quem surrupia

Pobres amigos, povo indefeso…

Meu pleito é teu leito!”  

Por isso que no plenário, vereador Edílico é lendário…

Graças a ele, a tradução 

Fica por conta de quem tem boa educação!

Algumas palavras de entendimento ao texto:

(Edílico = relativo a edil,Vereador)

(Idílico = Amoroso)

 (Demagogia = Anarquia, política de facções populares)

(Politizar = que insere consciência dos deveres e direitos políticos, a grosso modo, politicar)

 (Clarividência = Esclarecimento)

(Refutar =  Desaprovar)

 (Exílio = no figurativo: lugar desagradável para habitar)

 (Filantropia = no figurativo, ajudar a quem)

 (Surrupiar = Roubar)

 (Pleito = Questão em juízo, discussão, disputa)

(Leito = no figurativo: lugar de descanso)