JÔIO

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Molho de lixo humano
Depósitos de vinhoto
Dissabores mundanos
De sabores amargos
De saberes profanos
Vendendo prazer mórbido
De um corpo em óbito

Máfia de almas amargas
Vertendo suas vidas públicas
Em descargas de privadas
Contaminando jovens vidas
Ceifando a infância
Machucando eternas feridas

Horda de gente esquecida
Na solidão de uma esquina
No descaso da praça, num banco
Na incerteza debaixo, num viaduto
Na omissão da igreja numa escada
Na cegueira de uma calçada

Zumbis urbanos em comboio
Separados do trigo
O joio
Irmanam-se na desumanidade
Pra cheirar o anestésico
O pó
E adormecer a ferida
Em vielas fétidas
O dó

Penca de subumanos
Esgueirando-se pelos bêcos
Trombando nos escolhidos
Tirando deles o que a ti
Devia também ter pertencido
Revestidos de furtos
Importados e trapos
Jóias e latões
Exibem-se sátiros
Ironizando os que te chamam de ladrões.

Piá Montenegro

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ODE AO PÌCARO(por Fabio)

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Ode ao pícaro

Desprovido de altivez ergue o pícaro
A flâmula insurgente de sua vil existência
Ao sabotar os engodos que já nos censuram
Atormenta a tirania daqueles que nos regem

Não é cria dos deuses, tão pouco invulnerável!
Este algoz inominado que cunha desforra
Entre a malha proletária satirizada
Ode! Ao pícaro e sua classe famigerada!

Agente ripário de desafortunada letra
Ode!Ao pícaro em sua aura insuportável!
Ébrio mensageiro daqueles que se escondem

Aleive esfarrapado sem traços de lisura
Destreza sinonímia de inconseqüência
Prendam sendo capazes o eco do pícaro!!

**(pícaro=sagaz,anti-héroi; ripário=marginal;ode=canto de exaltação)