Brazil

Tem cana, pizza e dedo

no Planalto Central

”Robim” e morcegos

e Programa Bananal.

Têm letreiro a globo veio

cobrir o carnaval

só falta Carlheiros,

mocinho, em Paraíso Tropical.

Também o Papa veio

e o bispo da Universal

disputar terreiro

no Brazil de Portugal.

Enquanto o povo guerreiro

ocupa à mão levando cal

para construir puteiros

ao senhor do cafezal

que coça saco o dia inteiro

achando ser o capital

resolução para os anseios

uma noite no Via Funchal.

Bruno Moreira

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Leche Negra

Leche Negra

Tu, pequena Venêza, estás presa 

Teu carrasco que não cala e te faz perdida

Tua gente amiga, pudica; tuas meninas

Afinadas riquezas profundas

 

Tu, pequena donzela, estás calada

Tua beleza notada, mas não escrita

Porque não sai para fora de teu ovo?

Ensimesmada de praias e calor no corpo

 

Tu, pequena amada, desconhecida

Vigor de tuas entranhas escondidas

Teus filhos, néscios, tão fugáz

Não vês tua carreira ao mar?

 

Quanto tempo minha pequena

Verás tuas forças esvaecer?

Sugado o teu leite por todas as vacas

Não trará conforto no teu ser

 

Liberta Venêza, consentes calada?

Teus moços choram em praças

Esperando que saias do sono profundo

E o carrasco que parta noturno

 

Acorda Venêza, veja teus filhos

Imundos, sem mundo, sem nada

Tuas irmãs te esperam fora da cama; donzela

Levanta Venêza, tu estás, nela!

 

 

 Ivan Santos 

SÚPLICA

mendigo_brasil.jpg 

Estendida à calçada fria
Aquela mão  inerte e esquálida
Projetava-se para o alto
Oferecendo tua miséria num cálice
Em concha de súplica cálida.
Buscando do transeunte
A migalha sobrada
O resto do nada.
Esperando pelo dó
Para anestesiar a dor pelada
Nua na crueza das ruas
Surda para seu apelo
Que tanto causa desprezo
Pela fome não curada
Pela ferida vil
Que a exclusão abriu
Pelo infortúnio
De não se ter nascido do lado certo
De ser o filho da que pariu.
Dor eterna noturna
Onde o sol nunca nasce
A luz pra poucos
O calor pra uns contados
O brilho do olhar morto
Dentro de um corpo violentado.
E de tu, criatura rasteira
Do chão só o que levanta
É a essa mão insistente
De súplica indecente
Causando incomodo a tanta gente
Que fingindo não notar
Aquela mão projetada
Olha para qualquer lado
Onde tua figura patética
Não esteja prostada.
Agruras de uma existência
Sem consolo nem piedade
E aquele olhar mendigo
Acompanhava essa mão pedinte
Como se ela pudesse falar
O que tua boca ressecada
pelas salivas do fel mundano
Para sempre calara.
Recebes as doações
Dadas por pena, medo ou vergonha
De se saber ser humano
Aquela forma subjetiva e tristonha
Prostada ao chão fétido
Onde o cuspe é o tapete
O escarro a lona
E a pedra travesseiro sem fronha.
E tu criatura pedinte
Não mereces mais que uns trocados
Rebaixes ao  chão que pisa a média
Pelo chão que sobrevoa a alta
Ficas aí incrustado à vala
Sentindo o cheiro do esgoto
E o do desgosto
Que emana de tua semi-existência
Enquanto aí  estiveres
Rebaixado a condição de verme
Rastejando piedade
Buscando do sofrer a liberdade
Enquanto essa mão pobre
Se estender como em prece
Aos deuses que passam com pressa
Pra não perceber tua incômoda presença
Pra não olhar no teu olho vazio
Cheio de amargura e sofrimento
Despejado nesse chão cinzento e frio
Enquanto teus trapos
Mal tamparem esse corpo disforme e adulterado
Mal tratarem esses viajantes
Terei vergonha de ser humana
Por saber-me pertencente a uma raça
Que se divide em estirpes, esnobes castas
Que se achando sobrenatural
Esquecem que todos defecam por um mesmo canal
E comem por uma mesma boca
E fazem sexo como escape
E urinam agachados ou em pé
E buscam em Deus a fé
Não deixais cair em tentação
Mas livrai-nos do mal
Mas livrai-nos  dessas lágrimas o sal
Que vertem do seu não-ser
e só então saber-me-ei ser humana
Amém
Amem!

Piá Montenegro

Onde o mar se arrebenta


Onde o mar se arrebenta

Ah, amiga minha e amada flor

Já tens um tesouro em tuas entradas

Que também te ama, mas te deixa intocada e deserta

 

Até quando carne dourada; Sofrerás sozinha?

Tua fama de rainha; Inveja-te outras, por ser tão bela

Teus caprichos em ter penhascos ao mar à flor da água

 

Cearia comigo está noite, em uma terra prometida?

Então minha bela, tiraria tuas pedras 

E ao deixar-me, iria entrar às tuas praias

 

Invadiria teu corpo, e suavemente te irrigaria

Quero tocar-te, no teu agreste

Umidecer teu corpo doce, sadio e leve

 

Louco de amor, sou como um náufrago que se arrebenta em dor

Quisera ser como espuma de águas perdidas

Te amaria como nunca outro mar te amou

 

Ivan Santos 

Arquitetura na cura da ética

Aquitetura na cura da ética

Aos políticos, envergadura

Aos satíricos o contrário

Aos humanos, linguagem

Aos devassos, arquitetura

 

Aos dramaturgos, epopéia

Aos libertinos, democracia

Aos degenerados, a narrativa

Aos clássicos, a formosura

 

Aos corrompidos, astrônomia

Aos desamores, renascença

Aos transcendentes, religião

Aos violentos à justiça

 

Aos autênticos, literatura

Aos amores o poético

Aos líricos, estética

Aos matemáticos, o metafísico

 

Aos pobres, o iluminismo

Aos ateus, o misticismo

Aos movimentos, a escultura

Aos contemporâneos, a mídia

 

O Politíco satírico é um humano devasso

Dramaturgo quando libertino, degenera o clássico

Corrompidos desamores são transcedentes violentos

Autênticos amores são líricos matemáticos

Pobres dos ateus que tem um movimento contemporâneo

 

A envergadura é contrário na linguagem da arquitetura

Epopéia da democracia faz da narrativa uma formosura

Mas astrônomia na renascença, da religião e da justiça

Fazem da literatura poética uma estética da metafísica

O iluminismo e o misticismo, adoecem na escultura da mídia

 

Ivan Santos