Publicado por: Poesia & Cia em: Agosto 9, 2008
No meu telhado, tem uma chave
Que abre todos os portais dos teus sistemas solares
Tem um caminho de cristais, de quazáres
Como nas estradas de Minas Gerais,
estrada de pó de estrelas, de pedregais
No meu telhado, há cobertas para suas orelhas
Do sereno, do silêncio, de cometas
Das lágrimas de núvens apressadas
Em busca do amor do mar,
para deitar as suas crias, tempestades
O meu telhado é sustentado
Não por paredes de esperança,
mas, por colunas de madeira
Que eram vidas nas colinas,
que eram árvores paroleiras
No meu telhado mora um anjo
Que é o teu anjo da guarda,
meu amigo das madrugadas
Que me diz os teus segredos,
aquêles que tu confessas, quando rezas
No meu telhado há borboletas
Que eram lagartas sonhadoras
Se cansaram de não ter asas,
de estar ao chão atoa
Do meu telhado eu vejo a assombrosa aparição
Que no céu dos loucos crescentes, flutua nua
A Lua cheia de grandes confabulações
No meu telhado, a gravidade é minguante
Não há força que nos separe
Não há medo, nem saudades,
Sê deitares no meu divã.
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