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A Lua dos Loucos

Publicado por: Poesia & Cia em: Agosto 9, 2008

No meu telhado, tem uma nave
Tem estrelas, lumináres, tem querubins alados
Tem um espaço inteiro reservado
Exclusivo, dedicado.
Meu telhado é um santuário

No meu telhado, tem uma chave
Que abre todos os portais dos teus sistemas solares
Tem um caminho de cristais, de quazáres
Como nas estradas de Minas Gerais,
estrada de pó de estrelas, de pedregais

No meu telhado, há cobertas para suas orelhas
Do sereno, do silêncio, de cometas
Das lágrimas de núvens apressadas
Em busca do amor do mar,
para deitar as suas crias, tempestades

O meu telhado é sustentado
Não por paredes de esperança,
mas, por colunas de madeira
Que eram vidas nas colinas,
que eram árvores paroleiras

No meu telhado mora um anjo
Que é o teu anjo da guarda,
meu amigo das madrugadas
Que me diz os teus segredos,
aquêles que tu confessas, quando rezas

No meu telhado há borboletas
Que eram lagartas sonhadoras
Se cansaram de não ter asas,
de estar ao chão atoa

Do meu telhado eu vejo a assombrosa aparição
Que no céu dos loucos crescentes, flutua nua
A Lua cheia de grandes confabulações

No meu telhado, a gravidade é minguante
Não há força que nos separe
Não há medo, nem saudades,
Sê deitares no meu divã.

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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