Poesia & Companhia

O dia em que Augusto dos Anjos me inspirou

Publicado por: sheilabzs em: Março 21, 2008

Rompo os nós
Desconstruo esse mito
De que mulher é amor, docilidade e delicadeza
Que comporto em mim uma ética do cuidado inerente à minha condição de fêmea
E retira de mim, na mesma medida, a sujeira, o forte, o grosso, o insensível
Sou eu também tesão e ódio
Não querer ser deus,
Não sou à sua imagem e semelhança
Também não desejar ser Maria
Postar-me como sempre virgem, submissa e com os olhos voltados para baixo
Questionarei a bíblia e o seu mito do paraíso perdido
A mulher como a imagem do diabo
Elevarei meu pensamento para meu umbigo
E parirei dele uma placenta com uma flor dentro
Cagada, medrosa e sem pétala
Que feia e desidratadaMal nascia e já morria
Seu fôlego foi tão intenso
Que desaprendeu a respirar
Seu primeiro suspiro se tornou também o seu último
E ela viveu como ninguém jamais devera ter vivido.
Nesse mundo de crises, guerras, machismos, muitas outras cagadas e flores artificiais
Não desejo ser essa flor
Tampouco o cravo que a despetalou
Desejaria ser simples e intensamente
Esse sopro de vida que não sou.

21/06/2004)

1 Resposta para "O dia em que Augusto dos Anjos me inspirou"

Olá Sheila,
o que chama, ao me ver, a atenção na obra de Augusto dos Anjos, além do seu cientificismo, e a capacidade dele se assumir como um ser limitado, mas de maneira alguma um “vencido”,como ele mesmo se referia, pois conseguiu manter a “sanidade” mesmo após tantas tragédias.
O seu poema remete me a isso, pois descreve conflitos e idealiza de cereta forma soluções,pois em nenhum momento o eu lírico assume “não a nada a fazer …a não ser a saída do suícidio”.Que poderia tanto ser cogitada nos textos do poeta paraíbano, como no seu texto.

Para finalizar gostaria de deixar um link a respeito da Obra de Augusto dos Anjos, que também é um livro a respeito de seu processo de composição,aqui no link só um aperitivo do livro, cujo tive a oportunidade de ler.O que impressiona mais é que o sujeito fazia tudo aquilo de cabeça.

Ensaio de Horácio de Almeida a respeito de Augusto dos anjos.”O artesanato de Augusto dos Anjos”

http://www.secrel.com.br/jpoesia/augusto16.html

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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