Poesia & Companhia

Natal Dantesco

Publicado por: fabeanbatista em: Março 21, 2008

Hou, hou, hou! O natal chegou!
E as hienas devoram a carniça do consumismo,
Numa solidariedade movida a egoísmo
Que o obeso Noel organizou.

Do aniversariante ninguém lembrou!
Não é interessante para o capitalismo.
Cristo nos ensinou o comunismo,
Mas um punhado de moedas o crucificou.

Mãos gordurentas numa mesa cheia.
Gargalhadas demoníacas encharcadas de vinho.
Bocas arrotam com a pança cheia

Sobre o peru morto com tanto carinho.
E o aniversariante, sem sapato e sem meia,
Dorme embaixo de uma marquise, sozinho.

(Fabean Batista – 24/12/2007 à 29/01/2008)

3 Respostas para "Natal Dantesco"

Puxa vida!!!

Que poema!!!

parabéns!

O que dizer de Natal Dantesco?Que é um poema daqueles que cuspem na sua cara sem pedir licença.
Que remete ao mostro do consumismo que desvitua os valores mais inocentes, como comemorar o nascimento da mensagem de Cristo.

Agora só falta tocar aquela canção dos “Garotos Podres” para completar o clima do poema(de requinte superior a música claro),então vai um videozinho da banda tocando em Goiânia:
http://www.youtube.com/watch?v=EA7Yns-yAbI

Pronto agora é só se juntar aquelas pessoas na sala de jantar, que são preocupadas em nascer e morrer.

Sem palavras! No melhor do sentido, é claro.

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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