Poesia & Companhia

FOTOCÓPIAS

Publicado por: Fabio R. em: Fevereiro 27, 2008

Por Fabio R

Outro assinou pelos livros,
Que de meus monólogos haveriam de saltar!
No chão já não provém mais abrigo,
Árvores que mi’as mãos deveriam cultivar
!

E pelo que não criamos,
E pelo que não zelamos,

Somos relés fotocópias!
Duma imperfeição imperativa,

A esmaecer no calço das repartições….

Na indisposição funcional do atendente
Um desapreço pela graça do sustento!
Em sua pele o cancro sobressalente
No abandono,toma posse do sujeito!

E pelo que não agradecemos,
E pelo que não remediamos,

Somos moldes em barro!
Trincados em vestes grosseiras,
Exclusos de qualquer admiração….

Por parte do ceramista,
Por parte da clientela,

Em parte pelo que não notamos,
Em conjunto pelo que não queremos!

Em todo pelo que não fazemos,
Em tudo pelo que não desculpamos!
**********************************************************

Dedicado ao “Erva Daninha” Álvaro de Campos(Fernando Pessoa)

1 Resposta para "FOTOCÓPIAS"

Mudando um pouquinho,a direção tomada nos últimos poemas aqui publicados.

Todos que escrevem tem ,mesmo que inconscientemente, algumas influências,esse poema é uma homenagem a minha principal influência,o fingidor e multipoeta Fernando Pessoa,quem em sua autobiografia escreveu:

” Profissão:a designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação”
*********************************************************************
Esse texto nasceu através da fusão da idéia fixa que tinha na época…a de que nada somos…e o pq disto…..com os questionamentos do Técnico Naval,Alvaro de Campos, apresentados em suas obras completas reunidas sobre o título de “Poesia de Álvaro de Campos”,que contém poemas como “Começo a Conhecer me .Não Existo” “Cruz na porta da Tabacaria”,”No Fim” “Realidade”etc….Bem,não vou detalhar mais o conteúdo da obra porque estragaria a surpresa de quem ainda não leu.

Retomando ao meu texto “Fotocópias”,bem longe de ter maior importância, o principal questionamento é…poq não somos nada(frente a efemeridade da vida,a submissão de nossas vontades,a “crueldade” do mundo) Será por limitações, intrísecas na criação?(se não seriamos deuses não homens?),Será por omissão?Ou simplesmente estima?.

E isso chegamos ao final de mais um comentário e recomendo a todos que ainda não leram,leiam assim que possível as obras de Fernando Pessoa,inclusive as de outros heterônimos(O guadador de rebanhos Alberto Caeiro,o médico exilado Ricardo Reis) e Pessoa ele mesmo.

Bons questionamentos e leitura

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

José Bonifácio de Andrada e Silva

José Bonifácio de Andrada e Silva (Santos, 13 de junho de 1763 — Niterói, 6 de abril de 1838) foi um naturalista, estadista, poeta e maçom brasileiro. É conhecido pelo epíteto de "Patriarca da Independência". Pode-se resumir brevemente sua atuação dizendo que foi ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823. De início, colocou-se em apoio à regência de D. Pedro de Alcântara. Proclamada a Independência, organizou a ação militar contra os focos de resistência à separação de Portugal, e comandou uma política centralizadora. Durante os debates da Assembléia Constituinte, deu-se o rompimento dele e de seus irmãos Martim Francisco Ribeiro de Andrada e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva com o imperador. Em 16 de julho de 1823, D. Pedro I demitiu o ministério e José Bonifácio passou à oposição. Após o fechamento da Constituinte, em 11 de novembro de 1823, José Bonifácio foi banido e se exilou na França por seis anos. De volta ao Brasil, e reconciliado com o imperador, assumiu a tutoria de seu filho quando Pedro I abdicou, em 1831. Permaneceu como tutor do futuro imperador até 1833, quando foi demitido pelo governo da Regência.(texto fonte Wikipedia, para acessar todo o texto, vá ao site www.pt.wikipedia.org e busque pelo nome acima)