Poesia & Companhia

Político Edílico

Publicado por: poetisagitahabiba em: Fevereiro 1, 2008

politico.jpg 

Edílico é político lírico…

Seu nome coincidentemente gera seu renome : Vereador

Mas tanta rima é porque quando cita Senhor Edílico vereador, vereda dor…  

Em palanque, se põe ofegante

Toma partido de ofendido e faz pedidos…

Suas mãos gesticulam

Suas palavras articulam 

E no lugar de politizar, se faz poetizar… 

 “_Falar demais idealiza demasia

Fatalmente enfeita fantasias

A gosto, magoa demagogias” 

 “_Por isso, me recinto, e sinto…

No dever, de ver, antes de deveras dizer

Dizeres, dotado de desprazeres!” 

“_Mas vejo tanta gente, saindo pela tangente

São sujeitos indecentes, sendo regentes…

Da nobreza infame,

Enquanto quantos tolos são unânimes?” 

“_Ponham em clarividência suas evidências!

Furtar refuta, é fim de reformas e lutas…

Exijo extermínio ao exílio dos excluídos” 

“_Nobres amigos, políticos idílicos…

Faliu a fila da filantropia de quem surrupia

Pobres amigos, povo indefeso…

Meu pleito é teu leito!”  

Por isso que no plenário, vereador Edílico é lendário…

Graças a ele, a tradução 

Fica por conta de quem tem boa educação!

Algumas palavras de entendimento ao texto:

(Edílico = relativo a edil,Vereador)

(Idílico = Amoroso)

 (Demagogia = Anarquia, política de facções populares)

(Politizar = que insere consciência dos deveres e direitos políticos, a grosso modo, politicar)

 (Clarividência = Esclarecimento)

(Refutar =  Desaprovar)

 (Exílio = no figurativo: lugar desagradável para habitar)

 (Filantropia = no figurativo, ajudar a quem)

 (Surrupiar = Roubar)

 (Pleito = Questão em juízo, discussão, disputa)

(Leito = no figurativo: lugar de descanso) 

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2 Respostas para "Político Edílico"

Dedicatória:

Aos nossos políticos líricos…
Sinceramente, quando vejo na televisão – certos políticos
Fico mais admirada com o Dom de poetizar do que politizar…
Me perdoem a sátira sádica
Mas não acho justo idílico rimar com político!

Prólogo:

Político Edílico é uma metáfora em nome da metamorfose que políticos em palanque usufruem quando ditam palavras que no lugar de defender a todos nós contribuintes, defendem apenas a oratória de falso moralismo… É mais um causo do nosso cotidiano político, que no meu ponto de vista, cairia bem com a rima e ironia.

Créditos:

Poesia: Gita Habiba – Fotografia: Guilherme Kremer

Gita Habiba,

Impressionante descrição de um ofício político. Usando-se sabidamente das palavras, se faz claro a responsabilidade de um cargo público.

Interessante como o descrédito de uma função tão importante se vulgariza tão rapidamente.

Assistindo de camarote as peripécias dos nossos regentes. O que mais dói, é saber que; de vereador a simples fiscal de prefeitura, se apoderam dos recursos públicos e se faz uso disso como se estivesse a sua disposição para atender suas necessidades pessoais.

Como por exemplo; Um fato atual ” A farra dos cartoes cooporativos”.

Seguindo o versos da tua genialidade :

“_Mas vejo tanta gente, saindo pela tangente

São sujeitos indecentes, sendo regentes…

Da nobreza infame,

Enquanto quantos tolos são unânimes?”

Quando se desveste um político de seus cargos e poderes públicos, se faz gente como a gente.

Então minha querida, quando ou em que momento a “ovelha” vira “lobo”, e depois volta a ser “ovelha”?

Não, que não exista político honesto “vereador Edílico é lendário…”. Mas, as irregularidade são imensas.

Ainda bem que tem poetas visionários como você para meu consolo. Um pobre mortal.

Parabéns pelas palavras e seja bem-vinda!

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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