Poesia & Companhia

Calçada de cimento e lamento

Publicado por: poetisagitahabiba em: Fevereiro 1, 2008

Calçada de cimento e lamento

 

Ás vezes são vidros de veículos
Que separam dois mundos distintos
O meu, é pertinente às perguntas justas
Aquele, simplesmente permeia respostas injustas…
São pessoas esperando o tempo passar, como condução
Na falta de esperanças, remédio ou solução
Muitos abandonaram seus minutos de fé – em pé
Por horas sentados, na calçada de cimento e lamento
Mulheres, jovens ou velhas, de cócoras parem fofocas
Repartem acontecidos porque ninguém aparta seus caminhos
Homens, de todas as idades, esquecem da vida
Naqueles segundos entregues ao gole da bebida
Crianças, grandes ou pequenas, brincam e choram
Muitas vezes descalços, não sabem que seus futuros estão sem calço…
Estão todos naquele chão, Seus presentes e sonhos concretados em vão
Assim, sentados – De rostos acinzentados
Pelo cimento debulhado sem traço…
Suas vidas são cinzas
Pela fumaça sinistra,
De verdades cremadas…

4 Respostas para "Calçada de cimento e lamento"

Prólogo:

Sou mais uma que vejo este mundo desordenado,
Concretamente desestruturado… Não há versos, somente uma narrativa nada pegorativa do que é a realidade para muitos.
A consistência da escrita é o fator abandono, tanto das organizações governamentais quanto ao próprio abandono, por aval das desesperanças e o desespero que é ultimato na cabeça dessas pessoas…

Créditos:

Poesia: Gita Habiba – Fotografia: Manunegra

É meio repetitivo e constrangedor ter que pensar que da miséria alheia se fazem os “Shows de tragédias reais”, que são fonte lucros certos para a rede e para os anuciantes por causa do “apelo” popular.Sinceramente, acho que os “circos dos horrores” de séculos passados eram bem menos humilhantes.

E porque da nossa tolerância a esse tipo de situação?Por preguiça,que nós acostumamos…Não é por puro sadismo mesmo..antes ele do que eu…certo?

Errado!!!não precisa agarrar a bolsa com toda a força, ou mudar de calçada.Pois, com escreveu Manuel Bandeira “o bicho,meu Deus,era um homem”

Gita Habiba,

Realmente, a palavra dolorida “consciencia” existe e está escrita no peito e não na cabeça.

Dizem que há uma grande diferença em “um país em desenvolvimento quase desenvolvido…” como o Brasil, para um país “desenvolvido” como Estados Unidos.

Vivendo e experimentando o dia-a-dia de uma sociedade mais madura que a nossa ( mais de 10 anos), vejo que a cena que você relata em sua poesia, se faz escandalozamente ordinária aqui também. Uma miséria hipócrita “concreta e desestruturada”.

A diferença maior “daqueles que não tem, para aqueles que nunca terão”, diminui com uma melhor distribuição de renda. Mas, a inquietude e a ansiedade do consumo faz da “miséria social” muito mais evidente.

Para que sonhar com um carro Mercedez, sendo que um Fusca ou Fiesta nos leva também onde queremos chegar.
Precisamos separar as “necessidades básicas” das necessidades do estilo de vida (status).

Verdade é que algum de nós nunca chegarão nem perto de um Mercedez e isso não é miséria.
Porém, o maior crime na nossa sociedade, é que “alguns que andam de Mercedez” estão impedindo a capacidade dos menos favorecidos de terem o que comer. Isso sim é deprimente. Mesmo que nem todos que possui tal carro, tem essa natureza.

Como Fabio relata Manuel Bandeira “o bicho,meu Deus,era um homem”. Eu completaria (sem a menor presunção) com : “o bicho,meu Deus,era também político…”

Concordo com Fábio quando ele diz: “…séculos passados eram bem menos humilhantes…” Ainda que cabe a nós continuar a nossa labuta de trazer consciencia a fatos tão explícitos como esse que Gita trouxe a tona.

“Pelo cimento debulhado sem traço…
Suas vidas são cinzas
Pela fumaça sinistra,
De verdades cremadas…”

Quem sabe um dia, poderemos mudar tal verso, tão bem escrito, queimando nossa estupidez e assim ver a fumaça da ignorancia como uma coisa do passado.

Ironia em pensar na etmologia da palavra “desenvolvido”. Como aquele que não se envolve em problemas sociais, passando a ser não “envolvido”.

Fabio e Ivan…

Realmente, a questão do submundo ou submergidos à tona do poder, põe na balança estes contrastes que pautei em versos… Nos comentários, uma pequena palavra me fez pensar um pouco mais, a palavra QUASE seguida do desenvolvimento. Não devíamos ser o país do QUASE mas literalmente somos. Aqui onde tudo que se planta, dá, sofre-se de disparidades mostruosas e mesmo assim, ainda está em leis ou emendas, o que dizer sobre isso. Quis retratar, narrar, apenas lembrar o que é tão fluente em nossas vistas, a margem do desenvolvimento e não desenvolvidos, porque é assim que vejo… o verbo em andamento (desenvolvimento) ainda é quem está com o poder e o substantivo de negativa imposta (não desenvolvidos) não é nada além de fato consumado, o verbo de transição está parado… Alguns a espera e outros a espreita…

Gita Habiba

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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