Publicado por: poetisagitahabiba em: Fevereiro 1, 2008
2 | Fabio R.
Fevereiro 3, 2008 às 5:14 am
É meio repetitivo e constrangedor ter que pensar que da miséria alheia se fazem os “Shows de tragédias reais”, que são fonte lucros certos para a rede e para os anuciantes por causa do “apelo” popular.Sinceramente, acho que os “circos dos horrores” de séculos passados eram bem menos humilhantes.
E porque da nossa tolerância a esse tipo de situação?Por preguiça,que nós acostumamos…Não é por puro sadismo mesmo..antes ele do que eu…certo?
Errado!!!não precisa agarrar a bolsa com toda a força, ou mudar de calçada.Pois, com escreveu Manuel Bandeira “o bicho,meu Deus,era um homem”
3 | poetaivansantos
Fevereiro 4, 2008 às 11:00 pm
Gita Habiba,
Realmente, a palavra dolorida “consciencia” existe e está escrita no peito e não na cabeça.
Dizem que há uma grande diferença em “um país em desenvolvimento quase desenvolvido…” como o Brasil, para um país “desenvolvido” como Estados Unidos.
Vivendo e experimentando o dia-a-dia de uma sociedade mais madura que a nossa ( mais de 10 anos), vejo que a cena que você relata em sua poesia, se faz escandalozamente ordinária aqui também. Uma miséria hipócrita “concreta e desestruturada”.
A diferença maior “daqueles que não tem, para aqueles que nunca terão”, diminui com uma melhor distribuição de renda. Mas, a inquietude e a ansiedade do consumo faz da “miséria social” muito mais evidente.
Para que sonhar com um carro Mercedez, sendo que um Fusca ou Fiesta nos leva também onde queremos chegar.
Precisamos separar as “necessidades básicas” das necessidades do estilo de vida (status).
Verdade é que algum de nós nunca chegarão nem perto de um Mercedez e isso não é miséria.
Porém, o maior crime na nossa sociedade, é que “alguns que andam de Mercedez” estão impedindo a capacidade dos menos favorecidos de terem o que comer. Isso sim é deprimente. Mesmo que nem todos que possui tal carro, tem essa natureza.
Como Fabio relata Manuel Bandeira “o bicho,meu Deus,era um homem”. Eu completaria (sem a menor presunção) com : “o bicho,meu Deus,era também político…”
Concordo com Fábio quando ele diz: “…séculos passados eram bem menos humilhantes…” Ainda que cabe a nós continuar a nossa labuta de trazer consciencia a fatos tão explícitos como esse que Gita trouxe a tona.
“Pelo cimento debulhado sem traço…
Suas vidas são cinzas
Pela fumaça sinistra,
De verdades cremadas…”
Quem sabe um dia, poderemos mudar tal verso, tão bem escrito, queimando nossa estupidez e assim ver a fumaça da ignorancia como uma coisa do passado.
Ironia em pensar na etmologia da palavra “desenvolvido”. Como aquele que não se envolve em problemas sociais, passando a ser não “envolvido”.
4 | poetisagitahabiba
Março 13, 2008 às 3:01 am
Fabio e Ivan…
Realmente, a questão do submundo ou submergidos à tona do poder, põe na balança estes contrastes que pautei em versos… Nos comentários, uma pequena palavra me fez pensar um pouco mais, a palavra QUASE seguida do desenvolvimento. Não devíamos ser o país do QUASE mas literalmente somos. Aqui onde tudo que se planta, dá, sofre-se de disparidades mostruosas e mesmo assim, ainda está em leis ou emendas, o que dizer sobre isso. Quis retratar, narrar, apenas lembrar o que é tão fluente em nossas vistas, a margem do desenvolvimento e não desenvolvidos, porque é assim que vejo… o verbo em andamento (desenvolvimento) ainda é quem está com o poder e o substantivo de negativa imposta (não desenvolvidos) não é nada além de fato consumado, o verbo de transição está parado… Alguns a espera e outros a espreita…
Gita Habiba
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Albeo tema de Design Disease
Fevereiro 1, 2008 às 7:39 pm
Prólogo:
Sou mais uma que vejo este mundo desordenado,
Concretamente desestruturado… Não há versos, somente uma narrativa nada pegorativa do que é a realidade para muitos.
A consistência da escrita é o fator abandono, tanto das organizações governamentais quanto ao próprio abandono, por aval das desesperanças e o desespero que é ultimato na cabeça dessas pessoas…
Créditos:
Poesia: Gita Habiba – Fotografia: Manunegra