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JÔIO

Publicado por: Poesia & Cia em: Janeiro 28, 2008

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Molho de lixo humano
Depósitos de vinhoto
Dissabores mundanos
De sabores amargos
De saberes profanos
Vendendo prazer mórbido
De um corpo em óbito

Máfia de almas amargas
Vertendo suas vidas públicas
Em descargas de privadas
Contaminando jovens vidas
Ceifando a infância
Machucando eternas feridas

Horda de gente esquecida
Na solidão de uma esquina
No descaso da praça, num banco
Na incerteza debaixo, num viaduto
Na omissão da igreja numa escada
Na cegueira de uma calçada

Zumbis urbanos em comboio
Separados do trigo
O joio
Irmanam-se na desumanidade
Pra cheirar o anestésico
O pó
E adormecer a ferida
Em vielas fétidas
O dó

Penca de subumanos
Esgueirando-se pelos bêcos
Trombando nos escolhidos
Tirando deles o que a ti
Devia também ter pertencido
Revestidos de furtos
Importados e trapos
Jóias e latões
Exibem-se sátiros
Ironizando os que te chamam de ladrões.

Piá Montenegro

2 Respostas para "JÔIO"

O poema “Jõio” nasceu de parto prematuro, a forceps; dolorido, mas nasceu…
Procurei usar termos para, iniciar as estrófes,que dessem idéia de coletivos, por isso iniciei com termos como “molho”, “horda”,” comboio” ( excessão ficou no final) , “máfia” e “penca”. Quiz versar sobre esse “câncer” que nasceu no ãmago da sociedade, sobretudo a capitalista, onde os excluídos perambulam pelas ruas-moradas, perdendo sua humanidade, corrompendo-se, rebaixando-se a mísera condição de subumanos, sendo concomitantemente, vítimass e
algozes da violência em todos os níveis.

Piá,

A verdade pode lavar a alma, bem como pode ser suja, e estas metáforas definem o joio do trigo!
A idéia do coletivo com a excessão foi magnifica, enaltece a sua interpretação do que é alheio ao assunto!

Meus parabêns,
Espero por ler-te em breve!

Gita Habiba (Gilvania)

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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