Poesia & Companhia

Leche Negra

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 24, 2007


Leche Negra

Tu, pequena Venêza, estás presa 

Teu carrasco que não cala e te faz perdida

Tua gente amiga, pudica; tuas meninas

Afinadas riquezas profundas

 

Tu, pequena donzela, estás calada

Tua beleza notada, mas não escrita

Porque não sai para fora de teu ovo?

Ensimesmada de praias e calor no corpo

 

Tu, pequena amada, desconhecida

Vigor de tuas entranhas escondidas

Teus filhos, néscios, tão fugáz

Não vês tua carreira ao mar?

 

Quanto tempo minha pequena

Verás tuas forças esvaecer?

Sugado o teu leite por todas as vacas

Não trará conforto no teu ser

 

Liberta Venêza, consentes calada?

Teus moços choram em praças

Esperando que saias do sono profundo

E o carrasco que parta noturno

 

Acorda Venêza, veja teus filhos

Imundos, sem mundo, sem nada

Tuas irmãs te esperam fora da cama; donzela

Levanta Venêza, tu estás, nela!

 

 

 Ivan Santos 

1 Resposta para "Leche Negra"

Quanto a idéia.

Venezuela é conhecida também como pequena Veneza. Achei interessante o suficiente para escrever umas linhas sobre este minúsculo pais e como se faz um fator tremendamente importante em decisões de grandes potências, como o Estados Unidos.

Primeiro Verso,

O “carrasco” refere-se ao chefe de estado atual, e sua indiscrição no qual afeta Venezuela e sua imagem internacional perante as outras nações.

Sua população pequena é de um pouco menos de 30 milhões de habitantes, 10 milhões a menos, que a inteira população do Estado de São Paulo.
As “Afinadas riquezas profundas” refere-se as reservas de petróleo leve, de boa qualidade,

Segundo Verso,

O regime político em que Venezuela se encontra está perseguindo meios de comunicações e jornais de circulação popular por isso a frase “notada, mas não escrita”. Também o fato de que o povo esta sendo de certa forma alienado ” dentro do ovo”.
Claro que também não podia deixar de mencionar as praias e o clima equatorial onde Venezuela, se encontra geograficamente.

Terceiro Verso,

Venezuela, quase que desconhecida politicamente, a não ser pelos últimos acontecimentos. Detém reserva de mais ou menos 80 milhões de barris petróleo. Comparamos com a última descoberta que foi feita em São Paulo na região da Baixada Santista, chamada de reserva de Tupi, de 8 milhões de barris. Vemos a importância de suas reservas.

No entanto, politicamente, a oposição deixou que Chaves tomasse o poder quase totalitário, por não participarem das eleições em que ele foi eleito, por isso a frase “Teus filhos, néscios, tão fugáz” .

Como a posição geográfica do país tem o mar a direita, fiz a menção de que “Não vês tua carreira ao mar?”, por deixar a esquerda socialista de Chaves controlar o pais.

Quarto Verso.

Clara menção sobre o fornecimento de recursos naturais “Sugado o teu leite por todas as vacas”, neste caso as outras nações. Venezuela tem uma grande reserva porém não ilimitada.

As decisões que este pais tomar agora, afetará o resto da sua história por isso a frase “Não trará conforto no teu ser”, enquanto o mundo está tomando uma outra atitude em relação ao uso de combustível fóssil.

Quinto Verso.

Novamente um apelo a este pais para que se liberte de um opressor político. No qual também estudantes das faculdades nacionais tem sido rebeldes, por não concordar com as idéias propostas por tal ditador.

Manifestações tem sido noticiadas no pais, contra Chavez, e a intenção da oposição de que saia do poder.

Sexto Verso.

Nações vizinhas “Tuas irmas” , tem acompanhado o sofrimento e luta do povo “Venezolano”, esperando que Venezuela seja liberta de tal opressão e tenha sua democracia inteiramente restaurada.

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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