Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 20, 2007
Aos satíricos o contrário
Aos humanos, linguagem
Aos devassos, arquitetura
Aos dramaturgos, epopéia
Aos libertinos, democracia
Aos degenerados, a narrativa
Aos clássicos, a formosura
Aos corrompidos, astrônomia
Aos desamores, renascença
Aos transcendentes, religião
Aos violentos à justiça
Aos autênticos, literatura
Aos amores o poético
Aos líricos, estética
Aos matemáticos, o metafísico
Aos pobres, o iluminismo
Aos ateus, o misticismo
Aos movimentos, a escultura
Aos contemporâneos, a mídia
O Politíco satírico é um humano devasso
Dramaturgo quando libertino, degenera o clássico
Corrompidos desamores são transcedentes violentos
Autênticos amores são líricos matemáticos
Pobres dos ateus que tem um movimento contemporâneo
A envergadura é contrário na linguagem da arquitetura
Epopéia da democracia faz da narrativa uma formosura
Mas astrônomia na renascença, da religião e da justiça
Fazem da literatura poética uma estética da metafísica
O iluminismo e o misticismo, adoecem na escultura da mídia
Ivan Santos
Brilhante como sempre amigo!…voltarei a ler este texto…abraço!
Sou fã e ja sabes né? rsrs
Dezembro 20, 2007 às 2:34 am
Quanto à idéia:
Comecei este poema depois de ler um artigo sobre ética no site do Wikipédia. Como estava interessado também na classificação de palavras, percebi a riqueza de palavras paroxítonas, proparoxítonas e esdrúxulas na dissertação do texto. Desse modo, minha intenção de escrever um poema sobre ética tomou outro caminho, ampliando ainda mais a riqueza de palavras e à medida que me aprofundei na História e fatos envolvendo o tema.
Quase todas estas palavras são oriundas da explanação sobre a importância da Grécia antiga, mais precisamente no tempo de Sócrates, Platão e Aristótoles, quando ocorreu o desenvolvimento do pensamento filosófico em áreas sociais.
Quanto à estrutura:
Decidi colocar o nome do poema como “Arquitetura da cura da ética” porque ao perceber o empilhamento das palavras, vi claramente duas colunas de 4 palavras.
Exemplo:
Aos inocentes, o púdico
Aos inocentes, o púdico
Aos inocentes, o púdico
Aos inocentes, o púdico
Neste caso: uma coluna de “inocentes” e uma coluna de “pudicos”.
Depois de escrever 5 versos, com quatro frases cada uma em um total de 40 palavras; notei que no meio e no final das frases formaram-se outras frases.
Essas palavras poderiam ser colocadas em ordem de maneira que formassem ou justificassem umas às outras, usando a ironia, antagonia ou mesmo livre associação.
Tendo 7 versos, o poema deu um significado extra à idéia da “cura”, por causa do misticísmo em torno deste número, que muitas religiões consideram “o número perfeito”.
Exemplo:
Tendo 5 versos (sendo cada um deles) como:
Aos 1, 2
Aos 3, 4
Aos 5, 6
Aos 7, 8…
Sendo o 6 e 7 (com 5 frases, correspondente aos 5 primeiros versos) na seguinte formação:
1,3,5,7 (verso 1)
1,3,5,7 (verso 2)
1,3,5,7 (verso 3)
1,3,5,7 (verso 4)
1,3,5,7 (verso 5)
e
2,4,6,8 (verso 1)
2,4,6,8 (verso 2)
2,4,6,8 (verso 3)
2,4,6,8 (verso 4)
2,4,6,8 (verso 5)
Quanto à métrica:
Fazendo a contagem de acordo com as técnicas gramaticais, cheguei ao resultado de ter o 5 primeiros versos classificados como eneassilábicos (9 sílabas poéticas) e decassilábicos (10 sílabas poéticas), tendo 6 e 7 versos como dodecassilábicos ou Alexandrinos (12 sílabas poéticas). Claro que minha imperfeição é notada em algumas frases. E a minha sorte de púdico também.
O que segue é a “dissecação” de algumas frases:
“A envergadura é contrário na linguagem da arquitetura.”
Umas das definições da arquitetura dá-se à arte ou à técnica de projetar e edificar o ambiente habitado pelo ser humano.
A expressão linguagem da arquitetura refere-se ao conjunto de elementos que formam a composição arquitetônica.
Os arquitetos não pretendem com sua obra passar “mensagens” concretas, traduzíveis em palavras, através do domínio da gramática e da sintaxe das formas e do espaço, mas transmitir ao usuário da arquitetura uma determinada experiência abstrata.
Envergadura também interpreta-se como dar curva ao que era reto. Ou figurativamente, abater, fazer inclinar, sujeitar, ou até mesmo oprimir. Neste caso, corromper o que era não curvo.
Daí a envergadura é contrário na linguagem da arquitetura, quando a linguagem ou “mensagens” iriam se corromper ou “envergar” ao transmitir a idéia arquitetônica como uma verdade concreta, sem a necessidade de uma interpretação. Em outras palavras, há uma corrupção na mensagem apresentada pelo arquiteto quando a arquitetura apresenta uma verdade absoluta e concreta, não dando oportunidade à interpretação ou contestação.
Ainda na primeira frase do primeiro verso temos “Aos políticos, envergadura”, neste caso usando o significado do sujeitamento das leis ordinárias, que todos nós estamos sujeitos: Inclinar-se ou humilhar-se.
“Aos autênticos, literatura”
Autêntico também é sinônimo dos seguintes adjetivos: legalizado, certificado por instrumento ou testemunho público; que é do autor a quem se atribui; fidedigno ou até mesmo verdadeiro.
Literatura é a arte de compor escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; carreira das letras. Neste caso, não seria uma utopia ter sempre os “Autores verdadeiros e fiéis, produzindo texto com eloquência” ?
Necessitamos uma cura para Autores que produzem literaturas fraudulentas, copiadas, e não originais, no qual neste último adjetivo ainda me incluo.
“Aos corrompidos, astronomia”
Corrompidos são os que tornam-se podres, que estragam, alteram, aqueles que desnaturam ou mesmo pervertem, depravam, ou seduzem…
Astronomia é a ciência que estuda a constituição, os movimentos, a evolução, os fenômenos e as posições relativas dos astros e, de uma forma geral, de toda a matéria existente no Universo.
Ora, não seria uma ironia, dizer aos corrompidos que seus males seriam curados atravéz do estudo ou observação dos fenômenos quase sempre inalterados da natureza? Em outras palavras, lavar a boca das crianças que falam palavras torpes com um sabão que tenha o nome de “Morango Silvestre”.