Poesia & Companhia

Archive for Dezembro 2007

Brazil

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 29, 2007

Tem cana, pizza e dedo
no Planalto Central
”Robim” e morcegos
e Programa Bananal.
Têm letreiro a globo veio
cobrir o carnaval
só falta Carlheiros,
mocinho, em Paraíso Tropical.
Também o Papa veio
e o bispo da Universal
disputar terreiro
no Brazil de Portugal.
Enquanto o povo guerreiro
ocupa à mão levando cal
para construir puteiros
ao senhor do cafezal
que coça saco o dia inteiro
achando ser o capital
resolução para os [...]

Leche Negra

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 24, 2007

Leche Negra

Tu, pequena Venêza, estás presa 
Teu carrasco que não cala e te faz perdida
Tua gente amiga, pudica; tuas meninas
Afinadas riquezas profundas
 
Tu, pequena donzela, estás calada
Tua beleza notada, mas não escrita
Porque não sai para fora de teu ovo?
Ensimesmada de praias e calor no corpo
 
Tu, pequena amada, desconhecida
Vigor de tuas entranhas escondidas
Teus filhos, néscios, tão fugáz
Não vês [...]

SÚPLICA

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 24, 2007

 
Estendida à calçada fria
Aquela mão  inerte e esquálida
Projetava-se para o alto
Oferecendo tua miséria num cálice
Em concha de súplica cálida.
Buscando do transeunte
A migalha sobrada
O resto do nada.
Esperando pelo dó
Para anestesiar a dor pelada
Nua na crueza das ruas
Surda para seu apelo
Que tanto causa desprezo
Pela fome não curada
Pela ferida vil
Que a exclusão abriu
Pelo infortúnio
De não se ter nascido [...]

Onde o mar se arrebenta

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 20, 2007

Onde o mar se arrebenta

Ah, amiga minha e amada flor
Já tens um tesouro em tuas entradas
Que também te ama, mas te deixa intocada e deserta
 
Até quando carne dourada; Sofrerás sozinha?
Tua fama de rainha; Inveja-te outras, por ser tão bela
Teus caprichos em ter penhascos ao mar à flor da água
 
Cearia comigo está noite, em uma terra [...]

Arquitetura na cura da ética

Publicado por: Poesia & Cia em: Dezembro 20, 2007

Aquitetura na cura da ética

Aos políticos, envergadura
Aos satíricos o contrário
Aos humanos, linguagem
Aos devassos, arquitetura
 
Aos dramaturgos, epopéia
Aos libertinos, democracia
Aos degenerados, a narrativa
Aos clássicos, a formosura
 
Aos corrompidos, astrônomia
Aos desamores, renascença
Aos transcendentes, religião
Aos violentos à justiça
 
Aos autênticos, literatura
Aos amores o poético
Aos líricos, estética
Aos matemáticos, o metafísico
 
Aos pobres, o iluminismo
Aos ateus, o misticismo
Aos movimentos, a escultura
Aos contemporâneos, a mídia
 
O [...]


 

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Homenagem ao Poeta

FERREIRA GULLAR José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930). Poeta, ensaísta e crítico de arte. Em 1949, publica seu primeiro livro de poemas, Um Pouco Acima do Chão, mais tarde excluído de sua bibliografia. Vence o concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro, com o poema O Galo, em 1950, e no ano seguinte muda-se para a então capital do Brasil. Em 1954, publica A Luta Corporal, e se aproxima dos poetas Augusto de Campos (1931), Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Décio Pignatari (1927), participando ativamente da primeira fase do movimento concretista até 1957, quando rompe com o grupo paulista. Dois anos depois, em 1959, publica o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil, assinado ainda por vários artistas plásticos - entre eles, Lygia Pape (1927 - 2004), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) - e pelo poeta Reynaldo Jardim (1926). A partir de 1961, participa do movimento de cultura popular, integrando o Centro Popular de Cultura - CPC da União Nacional dos Estudantes - UNE. Participa da fundação do Grupo Opinião de teatro, em 1964, e é preso pela ditadura militar, em 1968. Após um período na clandestinidade, segue para o exílio em 1971. Em 1975, em Buenos Aires, lê o longo Poema Sujo para um grupo de amigos liderados pelo poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980), que consegue a publicação do livro em 1976 e encabeça um movimento de intelectuais a favor de sua volta ao Brasil, o que ocorre no ano seguinte. Em 1980, é publicada pela primeira vez a reunião de sua obra poética, no volume Toda Poesia. fonte:Itaú cultural

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