Delicadeza

Publicado: abril 20, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

destilam-se pensamentos
das nuvens de palavras
sensualmente deitam-se nos versos
sobre uma folha branca

então contam-se as sílaba, vocábulos
como se os versos tivessem ossinhos
ossinhos de porcelana, de passarinho

segure o poema de mansinho
para não machucar
que por entre dedos
escorreram os sentimentos

Num só movimento
reflete nos olhos, metáforas
enquanto a boca enche-se d’agua
e a língua banha-se na alegoria
poesia é alimento,
que sem morder,
engula sem pensar

Mãos Negras(por Piá Montenegro)

Publicado: abril 16, 2011 por Fabio R. em Social

Rio
Desce tuas doces águas turvas ladeira abaixo
Que de tanto perder, virou ácido
Lava essa alma que se fez plúmbea
Pela omissão
Pelo medo
Deixa o branco da paz se aconchegar
Serenamente
No colo daqueles que te pariram
Em quartos de janelas panorâmicas
Ouro e latões coexistindo
Separados pela maior das muralhas
A da indiferença humana
A da exclusão social
Perversa
Palpável
fecunda
Tudo visto dessa janela
Rio….sorrio…só Rio!

Permita
O negro da pele luzir pelo suor digno
Do trabalho
O róseo das faces de tuas crianças
Que desenha sonhos em papel de embrulho
De cocas e craks
Que pirilampa em céus de balas perdidas
E vezes, achadas por corações inocentes
Abatidas!
Aviõezinhos de carne e osso
Reféns da usura
Do medo
Da covardia
Que possam suas mãozinhas inocentes
Colherem um futuro de amores-perfeitos
Permita que desse céu, o anil
Não seja esquecido
Nas sombras do metálico fuzil
Ah, Rio, tu és o coração pulsante
Desse meu Brasil!
E por fim
Permita que
O oliva dessa bandeira
De um país de desordem e progresso
Tremule a esperanças
Que está, e sempre estará
Nas tuas crianças!

Piá Montenegro

Idéias pequeninas I

Publicado: abril 14, 2011 por Fabio R. em Romance
Tags:

*EMBRIAGUEZ*

Há cores demais pra vestir-
cabeças latentes
em guarda-chuvas

*SEGREDO*

vale colhêr
o som quando cobre-
dois queixos imóveis

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Aprendendo o Poetrix

Bluebird animation based on Charle’s Bukowski’s poem

Publicado: abril 2, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

Charles Bukowski – Bluebird

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say, stay in there, I’m not going
to let anybody see
you.
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he’s
in there.

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody’s asleep.
I say, I know that you’re there,
so don’t be
sad.
then I put him back,
but he’s singing a little
in there, I haven’t quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it’s nice enough to
make a man
weep, but I don’t
weep, do
you?

Charles Bukowski

Publicado: abril 2, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

The Tragedy of the Leaves

By Charles Bukowski

I awakened to dryness and the ferns were dead,
the potted plants yellow as corn;
my woman was gone
and the empty bottles like bled corpses
surrounded me with their uselessness;
the sun was still good, though,
and my landlady’s note cracked in fine and
undemanding yellowness; what was needed now
was a good comedian, ancient style, a jester
with jokes upon absurd pain; pain is absurd
because it exists, nothing more;
I shaved carefully with an old razor
the man who had once been young and
said to have genius; but
that’s the tragedy of the leaves,
the dead ferns, the dead plants;
and I walked into a dark hall
where the landlady stood
execrating and final,
sending me to hell,
waving her fat, sweaty arms
and screaming
screaming for rent
because the world had failed us
both.

Líquida

Publicado: fevereiro 25, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

Fluidez corre pelas concordâncias
Condensa-se o verbo à sentenças
E a solidez das oxítonas entoam
No cantado silábico das tramas

E da líquida idéia que pinga
Que desce para uma câmara esguia
Fermenta na saliva o gosto da mente
A nata da língua latina da gente

Diga-me

Publicado: fevereiro 25, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

Diga-me se te sou pouco
Diga-me se não miolo teu oco
Se me queres obsceno
Como aqueles outros

Faz-me líquido e sólido
Conjugando-me em tuas ancas
Se não te sorvo subvertido fruto
Que tanto geograficamente estudo

Cala-me o ai da boca com o bico
Enquanto não obtuso
Esfrega-me à flor da tua pele veludo
Que esbraseado extirpo teu perfume noturno

Ostracismo

Publicado: fevereiro 25, 2011 por Poesia & Cia em Uncategorized

Gente me incomoda
Sou uma ostra dentro da ostra
Preciso de poucos amigos
Um que me empreste
Um que me ensine
Um que me aplauda (mesmo sem entender)
Não sou diferente da lesma
Que vai deixando seu corpo liso
Num rastro prateado
Fugindo do calor do sol
Pra agonizar num punhado de sal
No teto uma aranha
Tecendo uma armadilha
Sendo que a vida já fez isso por nos.

Pagão

Publicado: setembro 25, 2010 por Poesia & Cia em metafísica, Romance
Ainda brotam-me na pele
Brutos diamantes translúcidos
E na minha boca o gosto
De todas as manhãs de domingo
Ainda repousa em meu corpo
Brumas de um perfume antigo
Dos feitiços das terras do fogo
Nossas noites de oferenda
Corpos celestes movimentando-se
Lentos enfileirados sobre nossas cabeças
Nas dunas de uma areia santa
Brincam o vento e a brisa quem vem de ti
Eu como um mar tempestuoso
Quebrando-me sobre falésias de nostalgia
Rochas monumentais que ainda adoro
Sou pagão numa religião perdida

Ainda vive…..

Publicado: maio 29, 2010 por Fabio R. em Romance

Milhões de quilometros se passaram até que voltasse a postar no “Poesia e Cia” ,mas o blog só precisa de mais um pouco de sangue novo para voltar a viver com força.Por isso quem se interessar em publicar nesse espaço não se faça de rogado, todos serão bem vindos.

Fabio R.

*

DA CIDADE ÀS PERSIANAS

À cidade: ansiedade;

Veio tatear com negros palpos
O repousar dum homem temeroso
Mordazes, como outrora, eles são:

No pulso destoante as sirenes
Na atmosfera metalina, adentrando  pulmões
Na condensação da calma em suor

á minar as forças,
E no torpor onde  se emaranha
Qualquer outro sentido de consolação
Que o seu estágio clínico reverta

À cidade: improbabilidade;

De nunca esbarrar em paixões imensuráveis
De alguns segundos duradouros
Entre  ordinárias travessias

De no fim do expediente não
olvidar-se dos prazos,
e desfrutar a companhia,
mesmo que lhe satirizem.

Da cidade: ferocidade;

Na disparidade entre as classes
Que roteiriza tragédias traumáticas
Que destoam em síndromes coletivas

Na trajetória retilínea dos pássaros
Contra os pára-brisas
No endividamento da’lma sânie.

Na cidade: oportunidade :

De saldar os danos, a cicatriz.
De ir e vir-se a transformar
Em vivência solidária

Argüir-se partidário do amicíssimo
E de, por fim, fender as persianas:

Para cumplicidade!

O TEMPO(ONTEM, HOJE, AMANHÃ)

Publicado: novembro 20, 2009 por poetaedsilva em Romance

O Tempo põe sobre as coisas a mão,

E nelas vem fazer suas mudanças.

O início e o fim são eternas danças,

Que bailam nesta vida sem razão.

 

Ontem: o início, doce sensação,

Promessas de diversas esperanças.

Hoje: terríveis garras de vinganças:

O Amor desfeito na separação.

 

E nesta roda de desesperança,

Este Tempo tem muita crueldade,

E deixa um acre sabor no que lança.

 

Amanhã: já vem a penalidade,

Uma dor há de viver na lembrança,

Porque no fim do Amor nasce a saudade.

           E.A.S  Ed Silva – 20/11/2009 – SP

O RIO

Publicado: novembro 10, 2009 por poetaedsilva em Romance

O Rio 

Rolou uma gota,

Solitária e pequena,

Correndo suave e serena,

E, antes que pudesse secar,

Outra se pôs a rolar.

 

E desde aquele instante,

A água tornou-se constante,

Onde havia o vazio,

Passou a correr um rio.

 

O rio que corre é incessante,

Um rio de águas turvas,

Que do CORAÇÃO ao semblante,

Rompe as retas e as curvas.

 

E, quando secarem se as águas,

Persistirá o rio das MÁGOAS

ED SILVA – SP -15/07/2005

 

inspiração

Publicado: novembro 3, 2009 por poetaedsilva em Uncategorized

Oh! tão sublime força indefinível,

Rara luz que ilumina o pensamento,

Sombra perfeita voando em leve vento,

Doce delírio de fúria invisível

 

Formas vagas,  sensações de momento,

Supremo dom, dádiva intraduzível.

Só aos olhos do coração sensível.

Tradução eterna do sentimento.

 

Oh! tu:  fugaz astro tão cintilante,

Luz perdida na vasta imensidão,

Percepção de alta emoção irradiante.

 

Ando a buscar-te na imaginação,

Sonhando ter em cada novo instante,

A indefinível luz da inspiração.

 

E.A.S 

 

SUJEITO OCULTO(por Victor Colonna)

Publicado: outubro 24, 2009 por victorcolonna em Uncategorized

O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.

É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.

Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.

Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito

Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.

Dissidências

Publicado: março 14, 2009 por Fabio R. em Política
Tags:, ,
fonte:Agência Carta Maior Crédito:Eduardo Seidl

fonte:Agência Carta Maior Crédito:Eduardo Seidl

No alvo da metrópole as posses,
decolam para mim e não para o outro,
que molambo na rua vive do escambo .

Não há outro, cozinhando as favas
e nada retendo aos dias ainda “in útero”
na coluna das dissidências;
rebate um fulgor ressabiado!

Alveja a matilha o jargão publicitário,
que torna crime qualquer inquisição

No entanto, num futuro utópico, não será mais preciso ostentar em
emblemáticas camisetas,o tom do sangue :

Em punhos cerrados
não há falhas:
Pátria de canalhas!

****

Fabio R. Vieira-Texto protejido conforme as Lincensa “Creative Commons”

***

Questões para(auto) análise:

quais os benefícios desse tipo de ação para o país? e para a postegarda reforma agrária?

o que vc acha desse tipo de ação ser financiada com dinheiro público?

esse tipo de prostesto não passa simplesmente (sempre) de uma manobra politica?

****

dados da imagem:

fonte:Agência Carta Maior

Crédito:Eduardo Seidl(foto)

*link direto da imagem para a reportagem

Ó!

Publicado: novembro 3, 2008 por Rafael Coelhoo'Clock em Social
Tags:, , , ,

(redondilha menor da gente)

no tempo passado
a gente brincava,
chorava de dar
dó.

no tempo presente,
andando de lá
e no sempre cá:
só.

no tempo futuro,
a gente sonhava,
sem nem que pensasse:
nó.

no tempo eterno,
nós somos palermas,
no final, virar
pó.

Dádiva

Publicado: setembro 20, 2008 por Fabio R. em Romance
Tags:,

Hão de consumar a  falácia em fetiche!
Seres que  enlaçam moralmente  os seus amavios
Pois desatina-me em silhueta a sandice
Avidamente á cozer em brasa  arrepios!

No que Eros lhe convém,glutonaria e sevícia
Rosados pomos a abrigar com gentileza
Um sereno mirante em sáfara vereda
Vassalo epiceno ao gozo e a carícia

Em seus dotes a tentação se torna cálida
Verte-se em compulsão sua tara esfaimada!
Como se minaz fosse a sombra do zelo

Ao extase que os arrebata mais belo
Assim plena a devassidão é deslumbrada!
Furtiva e  imoral como perfazida dádiva

*

2008-Fábio R.Vieira

Porque não – Cultura, Ordem e Progresso?

Publicado: setembro 1, 2008 por poetisagitahabiba em Ética
Tags:, , ,

 

Um amigo gringo, certa vez perguntou:

 

_ O que significam as palavras Ordem e Progresso da bandeira do seu país?

 

Então eu respondi:

 

_ A palavra progresso significa que o congresso está em regresso sem processo de projetos.

 

Ele simplesmente exclamou:

 

_ Esquisito!

 

E eu, sem muito entusiasmo para rimar e argumentar, disse:

 

_ Esquisito mesmo, por isso nem me arrisco a dizer o que significa a palavra Ordem.

 

O meu amigo gringo riu compulsivamente e afirmou:

 

_ Ledo amigo brasileiro… Esquisito em meu país é um elogio – Algo que lhe disse para vangloriar o que realmente é rico em seu país – a língua. Mas, nem mesmo tua rima e metáfora salvaram a sua ignorância do meu comentário…

 

E para perder a razão com classe, concluí:

 

_ A Cultura é algo que não está em Progresso em nosso país, mas a língua está em Ordem.

 

 

Prólogo:

Dizer que o Brasil tem cultura, é o mesmo em dizer que o Japão é celeiro mundial, ou afirmar que os Estados Unidos considera-se país de primeiro mundo porque conhece em prática muito correta o significado da palavra progresso, e não porque foi o maior investidor em armamentos para a Guerra Mundial. Mas, prometo que na próxima conversa com meu amigo gringo, arrisco a perguntar – O que significa mesmo a palavra ONU?

GITA HABIBA

`Renda Per Capta´

Publicado: setembro 1, 2008 por poetisagitahabiba em Ética
Tags:, , ,

`Renda Per Capta´

 

A renda não é só baiana

É toda brasileira e está rendida…

 

Vamos rendar o babado da malha fina!

 

 

Prólogo:

Renda Per Capta é a valorização de determinada região com suas classes, consumos e posses, mas na prática é mais complicado… Nem todos participam desta divisão comunitária, porque fogem da malha fina para rendar outros babados e eu, mais uma vez, brincar com as metáforas das palavras…

 

GITA HABIBA

 

Aliados ou Alienados?

Publicado: setembro 1, 2008 por poetisagitahabiba em Ética
Tags:, , ,

 

A educação realmente é aliada dos sábios, mas pode ser fator alienado para pessoas mais curiosas que estudiosas… E para tanto, confisquei a conversa de dois amigos em combate de conhecimentos gerais, ainda no estágio primário…

 

Então o amigo Alienado perguntou:

 

_ Me diz, que língua nosso país fala?

 

_ Português, ué!

 

Respondeu de prontidão o amigo aliado…

 

_ Errado. Falamos a língua portuguesa (língua derivada do português)

 

E nada satisfeito, continuou com a prova oral…

 

_ Agora me responde, qual é o nome do nosso país?

 

_Brasil, ué!

 

Respondeu de supetão o amigo aliado…

 

_Errado! É República Federativa do Brasil (nome técnico)…

 

Então o amigo que respondeu tudo errado, resolveu ser mais esperto e perguntou:

 

_Ah ta! Então me responde… Porque os Estados Unidos é da América?

 

Muito preocupado com a pergunta idiota do amigo, o alienado respondeu:

 

_ Não questione isso! Melhor os Estados Unidos aqui nas Américas do que lá (na Europa ou Ásia) – Já pensou na confusão? Ou você quer chegar ao colegial estudando a questão da terceira Guerra Mundial?

 

 

 

Dedicatória:

A minha filha, Vitória – Quem me fez aprender que Plutão não é mais considerado o último planeta do nosso sistema solar, e que indiretamente, me fez entender que é melhor ser estudioso do que simplesmente um curioso…